Analistas do JPMorgan liderados por Nikolaos Panigirtzoglou publicaram, em relatório de 16-17 de setembro, um argumento pouco explorado até agora: a vantagem potencial do Bitcoin sobre o ouro está ligada a dois fatores — a recuperação mais lenta dos ETFs de Bitcoin frente aos de ouro, e o excesso de posições vendidas acumuladas contra o IBIT, da BlackRock, que cria condições para um possível short squeeze que o ouro simplesmente não tem. (Crypto Briefing)
Os números por trás do argumento
Os ETFs de ouro já recuperaram todas as saídas registradas no início de 2026, enquanto os ETFs de Bitcoin recuperaram apenas cerca de metade. O short interest do IBIT está próximo da máxima de 2026, enquanto o do GLD (ETF de ouro da SPDR) está abaixo da média histórica. A relação put/call do IBIT também está mais elevada que a do GLD — sinal de que os investidores compram mais proteção contra queda no Bitcoin do que no ouro. (The Block) (Crypto Briefing)
Por que isso seria positivo para o Bitcoin
O raciocínio do banco inverte a leitura usual: em vez de ver o excesso de hedges como fraqueza, o JPMorgan trata esse posicionamento cético como a própria condição para um movimento mais forte — quando os vendidos do IBIT cobrirem posições, a demanda represada tende a ser maior e mais rápida do que qualquer coisa que o GLD possa produzir. É o efeito clássico de "trade lotado": quanto mais protegido o mercado está contra a queda, maior o potencial de alta quando esse medo se dissipa. (TFTC)
O contexto: o retorno do "debasement trade"
Bitcoin e ouro receberam entradas após a reunião do Fed no fim de julho, quando a busca por ativos escassos diante de preocupações fiscais e cambiais voltou a ganhar força. Esse movimento perdeu fôlego na semana anterior ao relatório, com alta nos yields reais e a falha do Senado americano em avançar o CLARITY Act. (Hokanews)
O que o relatório não diz
O JPMorgan não trouxe novos preços-alvo — a análise é sobre posicionamento relativo, não uma previsão de que o Bitcoin vai superar o ouro em termos absolutos. Vale lembrar que, em relatórios anteriores de 2026, a mesma equipe já havia citado uma avaliação teórica de longo prazo, ajustada por volatilidade, de US$ 266 mil para o Bitcoin — um cenário, não uma garantia.
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