SEC acusa empresas e executivos por suposta fraude cripto de US$ 200 milhões envolvendo mais de 100 mil investidores
A Securities and Exchange Commission (SEC) anunciou em 29/10/2026 uma ação judicial contra Blox Lending, Digital Licensing e seus respectivos responsáveis por um suposto esquema de fraude envolvendo investimentos em criptoativos comercializados sob a marca DEBT Box.
Segundo a denúncia, a operação captou pelo menos US$ 200 milhões de mais de 100 mil investidores individuais em diferentes países.
A ação foi apresentada em 28/10/2026 perante um tribunal federal em Utah, nos Estados Unidos.
Como o esquema teria funcionado?
Entre novembro de 2021 e agosto de 2023, os responsáveis teriam comercializado contratos que davam aos investidores direitos sobre criptoativos DEBT Box, supostamente associados a projetos econômicos reais.
Entre os setores apresentados estavam petróleo, gás natural, agricultura, imóveis e distribuição de bebidas.
A proposta divulgada aos investidores era que esses negócios gerariam receitas de royalties, utilizadas para recomprar e destruir tokens em circulação, mecanismo conhecido como buy and burn.
A redução da oferta de tokens seria apresentada como um fator de valorização dos ativos.
O que a SEC identificou?
A SEC alega que a DEBT Box não recebeu receitas dos projetos reais conforme prometido aos investidores.
Em vez disso, os responsáveis teriam utilizado mais de US$ 101 milhões provenientes dos próprios investidores para comprar tokens e executar operações de recompra e queima.
Segundo a autoridade, essas movimentações tinham características de pagamentos típicos de esquemas Ponzi.
A denúncia também afirma que recursos dos investidores foram direcionados a empresas terceirizadas, muitas das quais não possuíam obrigações de pagamento de royalties à DEBT Box.
Essas afirmações constituem alegações da SEC no processo judicial e não devem ser apresentadas como fatos definitivamente comprovados por sentença.
Houve acordo com os acusados?
A SEC informou que Schad Brannon, Roydon Nelson e Digital Licensing concordaram com propostas de julgamento para encerrar as acusações contra eles, sem admitir as alegações.
Os acordos ainda dependem de aprovação judicial.
As propostas incluem sanções financeiras e restrições temporárias à participação de determinados envolvidos em ofertas de valores mobiliários.
A ação também busca medidas judiciais e penalidades contra os demais acusados.
O que o caso ensina sobre tokenização?
A utilização de blockchain não comprova que um token esteja efetivamente vinculado a uma atividade econômica rentável.
Para avaliar investimentos que prometem receitas provenientes de ativos reais, é necessário verificar a existência dos ativos subjacentes, os contratos que estabelecem direitos econômicos, a origem dos fluxos financeiros e a independência das informações apresentadas.
Mecanismos de recompra e queima de tokens também não garantem valorização. Sua sustentabilidade depende da origem dos recursos utilizados.
Relevância para investidores brasileiros
Embora a ação tenha sido apresentada nos Estados Unidos, os riscos descritos são aplicáveis à análise de ofertas internacionais acessíveis a investidores brasileiros.
Projetos que associam tokens a royalties, renda passiva ou atividades econômicas reais exigem verificação documental e financeira independente.
A existência de uma narrativa de tokenização não substitui demonstrações auditáveis de receitas, obrigações contratuais e direitos dos investidores.
Conclusão
A ação da SEC evidencia os riscos de estruturas que apresentam criptoativos como representações de negócios rentáveis sem comprovação suficiente das receitas anunciadas.
O processo permanece sujeito às decisões judiciais cabíveis. A acusação não equivale a condenação definitiva.
Fonte: SEC — Litigation Release nº 26678, de 29/10/2026.
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