Aqui vai um artigo sobre inflação americana e minha visão sobre o próximo FOMC.
O dado de inflação que fez o mercado voltar a precificar alta de juros em setembro foi, em boa parte, a sua conta de celular. Não estou sendo irônico. O núcleo do CPI americano subiu 0,29% em agosto. Telefonia móvel e hotelaria responderam por 14 desses 29 pontos-base. Todo o resto da economia americana, somado, deu cerca de 15. Duas das categorias mais ruidosas do índice fizeram metade do trabalho sozinhas. No supercore foi pior. Alta de 0,51% no mês, com 29 pontos-base vindos só de telefonia. Mais da metade de um único item. No headline, que subiu 0,40%, a energia sozinha entregou 15 pontos-base. Quase 40% da alta. E é aqui que a conversa deixa de ser sobre política monetária. Energia não está subindo porque a economia americana está fervendo. Está subindo porque o Estreito de Hormuz segue estrangulado. O fluxo pelo estreito está em torno de 6 milhões de barris por dia, cerca de 30% do nível pré-conflito. O Brent fechou acima de US$ 101 essa semana, o maior nível desde maio. Então a pergunta que ninguém está fazendo em voz alta: Quantos pontos de juro o Fed precisa subir pra reabrir Hormuz? Nenhum. Juro não move navio. Aperto monetário funciona contra inflação de demanda. Contra choque de oferta, ele entrega recessão sem devolver um barril ao mercado. E mesmo que quisesse insistir, o espaço é estreito. Com dívida bruta acima de US$ 40 trilhões, cada ponto de juro adicional vira conta de serviço da dívida que o Tesouro paga no ano seguinte. O próprio aperto que o Fed precisaria fazer está sendo feito pelo mercado de treasuries, principalmente na ponta longa. Encarecendo custo de capital de longo prazo. Do outro lado, com headline em 3,4%, cortar também não está na mesa. O Fed está preso no meio. E banco central preso é banco central que para de fazer preço. Agora suavize o ruído do dado. A média de 3 meses do núcleo está em 0,16% ao mês. A de 6 meses, em 0,21%. Anualizado, 1,9% e 2,5%. Um print barulhento não cria tendência nova. O mercado ainda vai operar narrativa hawkish por algumas semanas. Isso é inércia de posicionamento. Depois vai descobrir quem realmente está no comando da liquidez marginal. O Tesouro. Composição de emissão, recompra de dívida longa, gestão de duration. É daí que sai o dinheiro que chega no preço dos ativos, não da taxa de juros. E quando a liquidez volta a se expandir num mundo onde o lado da oferta está quebrado, o capital migra pra escassez antes de migrar pra rendimento. O ouro já entendeu isso em agosto, com US$ 17,9 bilhões entrando em ETFs num mês só. Bitcoin é a mesma tese com oferta ainda mais inelástica. #CPIWatch
O PPI tem três leituras. O PPI cheio é o índice de demanda final, o 5,4% das manchetes. O PPI core exclui alimentos e energia; é o que aparece nas telas como "Core PPI" e o que o consenso mira. O PPI core ex margens exclui, além de alimentos e energia, as margens de atacado e varejo; o nome oficial é "final demand less foods, energy, and trade services", e é a linha que o próprio BLS destaca no release, porque margem de comércio é o componente mais volátil do índice. Vou considerar "core" o segundo e "core ex margens", o terceiro.
Em agosto, core e core ex margens não contaram a mesma história no mês. O core subiu 0,16% contra 0,3% esperado, no terceiro mês seguido de desaceleração: 0,40 em junho, 0,27 em julho, 0,16 agora. O core ex margens subiu 0,27%, em linha com o consenso de 0,3%, depois de 0,4% em julho. A diferença entre os dois está na margem de comércio, que caiu 0,2% no mês e tirou cerca de 0,04 ponto do core. A margem do varejo de combustível desabou 11,3%, e isso é mecânico: quando o combustível sobe no atacado, o varejo demora a repassar e a margem encolhe antes de se recompor. Em doze meses, 4,6% no core, como esperado, e 4,7% no core ex margens, igual a julho. O 4,6% veio de 4,3% por aritmética de base: saiu da janela o −0,2% de agosto de 2025 e entrou o +0,16% de agosto de 2026. O pico foi 4,9% em abril.
O mesmo vale para a manchete de aceleração que o PPI cheio ganhou hoje. Em doze meses ele foi de 4,8% para 5,4%, mas agosto de 2025 tinha sido −0,2% e agosto de 2026 foi +0,4%; a troca de um mês negativo por um positivo responde pelos 0,6 ponto inteiros. O ritmo mensal de 0,4% ficou em linha/abaixo da média mensal do último ano (0,44%).
Ou seja, a leitura de hoje não trouxe aceleração (apenas energia, por motivos óbvios). O core desacelera há três meses, o core ex margens veio no consenso e o 5,4% do PPI cheio é troca de base, um −0,2 que saiu e um +0,4 que entrou.
E mesmo assim ainda tem muito investidor olhando apenas para taxa de juros do FED para entender mercado.
Não poderiam estar mais deslocados. Visão de túnel, talvez.
O nome do jogo agora é duration.
A intervenção que o Bessent está fazendo na ponta longa ocorre justamente quando BCs, como o Japão, continuam se desfazendo de treasuries.
Os $4 BILHÕES anunciados são apenas a ponta do icerberg. Vai ser preciso muito mais emissão de t-bills (talvez o triplo, quadruplo?).
E quando t-bills são emitidas para comprar títulos longos, isso é uma troca de duration no colateral.
Principalmente em MMF e shadow bankings vão sentir esse efeito. Papéis que funcionam "quase como dinheiro".
Tá seguindo analista tentando descobrir apenas o que o FED vai fazer com juros na próxima reunião? Então já saiba que está olhando apenas meio-mercado.
Wall Street ainda fecha. Na Binance isso já não existe.
Em 8 meses, Perps e bStocks saíram de 1 ticker em janeiro pra cobrir mais da metade do mercado acionário americano.
Olha o recorte da @Binance Research : • ~US$ 42T de ~US$ 76T do market cap dos EUA já estão cobertos • De 2% em jan/26 pra 55% agora • Mega caps, financeiro, saúde, consumo, semicondutor e o núcleo de IA do ciclo • Mercado 24×7. Sem espera de pregão.
O ponto que quase ninguém comenta: quem tá entrando nisso não é o desk de Nova York.
É perfil mais novo, mercado emergente, acumulando exposição em ação americana pela Binance. Fração pequena. Acesso que o corretora tradicional nunca entregou nesse horário.
Holders de ação tokenizada dobraram em agosto. BNB Chain tá no bolo que concentra 95% desses holders, junto com Solana e Robinhood Chain.
A tese é simples. Não é “cripto vs ação”. É a ação americana rodando no mesmo trilho que você já opera $BTC e $BNB
Quem ainda espera o pregão abrir às 10h tá operando o mercado de ontem. #bStocks
Short-term holders realizaram cerca de US$ 700 milhões de lucro na primeira puxada de alta.🚨
Mão fraca saindo antes do movimento sequer se confirmar no bitcoin.
Esse é o maior pico de realização desde julho de 2025, e apareceu logo na largada do rali, não perto do topo.
O padrão anterior mostra o inverso: em janeiro de 2025 e julho de 2025, os picos de realização vieram depois de meses de alta acumulada, com preço já esticado.
Quem comprou perto do fundo de julho está saindo com poucos pontos percentuais de lucro.
É o comportamento clássico de quem entrou sem convicção e trata qualquer alta como oportunidade de escapar no zero a zero emocional.
Essa exata estrutura que gera os "ralis de descrença" e retroalimenta altas. Vou explicar isso em detalhes nas análises de hoje.