$BTC USDC Cerginho, a verdade é que o dinheiro acabou com o ser humano. E digo mais: o dinheiro acabou com o futebol e com a dignidade da vida em sociedade.
Sem dinheiro, Cerginho, o homem finalmente descansa. Você não tem que se preocupar se o dólar subiu, se a cotação do bitcoin despencou, se a bolsa de valores derreteu ou se a fatura do cartão vai vencer no dia dez. Não tem fatura! Acabou o estresse. O sujeito acorda de manhã sem um tostão no bolso e pensa: "Maravilha. Não tenho nada a perder, inclusive porque não tenho nada". É a libertação plena pela miséria voluntária.
E no futebol, Cerginho? Sem dinheiro, o futebol volta às suas origens mais puras. Acaba essa palhaçada de jogador mimado ganhando dois milhões por mês pra acertar o lateral no segundo pau. Sem salário, quem tá em campo tá ali por desespero puro ou por falta de opção na vida. É o verdadeiro futebol raiz: aquele em que o ponta-esquerda corre 90 minutos não pra comprar uma Land Rover, mas porque se ele perder a bola, a torcida pega ele na saída do gramado.
O dinheiro trouxe a modernidade, e a modernidade trouxe a estatística avançada, o passe pro lado e o volante que não dá uma pegada mais forte na linha de fundo. Sem dinheiro, não tem VAR, não tem transfermarkt, não tem empresário ganancioso. É cada um por si, o juiz apitando de calça jeans e o troféu no final do campeonato sendo um sabonete puro ou um frango assado.
A pobreza financeira, Cerginho, é o único estado que garante a paz de espírito. Quem não tem um centavo tá imune a golpe, imune à inflação e imune ao sistema. É a vitória do homem simples sobre a ganância do capital.