Vetrii desenvolve o Passaporte Digital de Veículos sobre uma infraestrutura blockchain de nível L1 fornecida pela Tanssi, enfrentando um desafio estrutural do mercado automotivo brasileiro.

Quando se fala em blockchain no Brasil, o debate ainda costuma ficar restrito a criptoativos, investimentos ou especulação financeira. No entanto, existe um desafio concreto, fora das redes sociais e do debate online, que impacta diretamente a vida real: a fragmentação e a complexidade das informações no mercado automotivo brasileiro.

O país possui um dos maiores mercados de veículos do mundo, mas opera sobre sistemas historicamente desconectados, com registros dispersos, baixa interoperabilidade e dificuldades na verificação de histórico e procedência. Resolver esse tipo de problema não depende apenas de aplicações digitais, mas de uma base de infraestrutura capaz de operar em escala nacional, com previsibilidade, segurança e aderência regulatória.

É nesse contexto que a Vetrii desenvolve o Passaporte Digital de Veículos, apoiada por uma infraestrutura blockchain de nível L1 fornecida pela Tanssi, projetada para suportar fluxos regulados, alto volume de transações e operação de longo prazo. A combinação entre a aplicação da Vetrii e a infraestrutura da Tanssi permite transformar dados fragmentados em registros verificáveis, interoperáveis e confiáveis para todo o ecossistema automotivo brasileiro.

O desafio real: dados fragmentados, fraude e falta de confiança

Fonte: Edição Isa de Sá Leal

Alguns fatos ajudam a entender a dimensão do problema:

  • O Brasil possui mais de 89 milhões de veículos ativos.

  • O país registra mais de 26 milhões de eventos veiculares por ano, entre transferências, registros e atualizações cadastrais.

  • Mais de 40% dos veículos usados apresentam algum tipo de irregularidade ou risco oculto, como adulteração de hodômetro, histórico de sinistro ou problemas documentais.

  • Para mais de 55% dos compradores, a origem do veículo é o fator mais importante na decisão de compra.


Hoje, essas informações ficam espalhadas entre:

  • DETRANs estaduais

  • seguradoras

  • bancos

  • oficinas

  • montadoras

  • concessionárias

Sistemas que não conversam entre si dependem de processos manuais e abrem espaço para erro, fraude e assimetria de informação.

A proposta da Vetrii: Passaporte Digital de Veículos


A Vetrii surge com uma proposta clara: transformar cada veículo em um ativo digital verificável.


Com o Passaporte Digital de Veículos, cada carro passa a ter:

  • histórico de manutenção

  • registros de quilometragem

  • eventos de propriedade

  • informações sobre bateria e componentes

  • dados ambientais e de reciclagem

Tudo isso registrado on-chain, de forma imutável e auditável e interoperável.

Não se trata de NFT de carro. Trata-se de confiança, rastreabilidade e eficiência regulatória aplicadas à infraestrutura do setor automotivo.

O papel da Tanssi como infraestrutura


Para esse modelo funcionar em escala nacional, não basta “usar blockchain”.

São necessários controle, previsibilidade e desempenho, especialmente quando se lida com dados regulados, alto volume transacional e integração institucional.

A Vetrii escolheu rodar sua L1 soberana na Tanssi porque precisa de:

  • blockspace dedicado

  • controle total da lógica de execução

  • alta previsibilidade de performance

  • integração com instituições reguladas

  • segurança alinhada ao Ethereum

A @Tanssi fornece a infraestrutura para que a Vetrii opere sua própria blockchain sem precisar gerenciar toda a complexidade técnica por trás disso.

Na prática, isso permite que a Vetrii foque no que importa: infraestrutura pública digital para mobilidade.

Regulação já está batendo à porta

Esse movimento não acontece no vácuo.

  • A União Europeia já exige passaportes digitais para baterias de veículos elétricos.

  • No Brasil, o PL 2132 avança para tornar obrigatórios passaportes digitais para veículos elétricos.

  • O programa federal MOVER exige rastreabilidade de componentes e medição de carbono ao longo do ciclo de vida.

Sem uma base digital confiável, cumprir essas exigências se torna caro, lento e ineficiente.

Com blockchain, isso deixa de ser remendo e passa a ser infraestrutura nativa.

Muito além da venda do carro

A L1 da Vetrii não resolve só compra e venda.

Ela abre espaço para:

  • financiamento veicular tokenizado

  • seguros com onboarding automático

  • transferência de propriedade com Delivery vs Payment

  • rastreamento de baterias e reciclagem

  • redução estrutural de fraudes

Na prática, o que vemos aqui é coordenação econômica funcionando fora do discurso e dentro da realidade.

O que esse caso mostra sobre Web3 no Brasil


O caso Vetrii + Tanssi deixa uma mensagem clara:


Web3 no Brasil não precisa começar pelo DeFi.

Pode começar pela infraestrutura pública.

Quando blockchain resolve um problema que:

  • já existe

  • afeta milhões de pessoas

  • envolve regulação e dados críticos

Ela deixa de ser promessa e vira camada de execução da vida real.