Luca Schnetzler conhecido como Luca Netz viveu uma realidade que parece pertencer a uma realidade paralela.

Luca Schnetzler

Não havia escritório luxuoso. Não havia milhões na conta. Não havia investidores, manchetes ou uma marca global para comandar.

Havia instabilidade.

Luca cresceu em uma família que enfrentava enormes dificuldades financeiras e passou parte da infância em situação de vulnerabilidade habitacional. Ele e sua mãe viveram durante anos mudando entre diferentes lugares, incluindo quartos, sofás e abrigos temporários, vivendo uma infância abaixo da linha da pobreza.

Anos depois, aquele garoto que precisou aprender a lidar cedo demais com a falta de dinheiro estaria à frente de uma das histórias mais improváveis do universo das criptomoedas.

E talvez o mais curioso seja que Luca não chegou lá seguindo o caminho tradicional.

Ele abandonou a escola ainda adolescente.

Começou trabalhando em um centro de distribuição.

Vendeu produtos pela internet.

Descobriu o poder das redes sociais antes de muita gente entender como transformar atenção em dinheiro.

E, aos 18 anos, já havia conquistado seu primeiro milhão de dólares.

Mas essa ainda não era a parte mais surpreendente da história.

O verdadeiro salto aconteceria quando ele decidisse apostar tudo que tinha em NFTs justamente no momento da crise dos NFTs.

A história de Luca Netz começa muito longe do glamour associado ao universo das criptomoedas.

Criado por uma mãe solo e pobre, Luca teve uma infância marcada por dificuldades financeiras e instabilidade. A necessidade de ganhar dinheiro não apareceu para ele como uma ambição distante de empreendedorismo.

Era uma necessidade concreta.

Era sobre sobreviver.

Essa diferença ajuda a entender boa parte da personalidade empresarial que ele desenvolveria posteriormente.

Enquanto outros adolescentes estavam concentrados na escola e na vida social, Luca começou a procurar maneiras de gerar renda.

Ele chegou a abandonar o ensino médio pouco depois, conseguiu trabalho como auxiliar de logística empacotando caixas na Ring, empresa conhecida por seus dispositivos de segurança residencial.

O trabalho, porém, não despertou nele apenas a vontade de receber um salário todo mês.

Despertou curiosidade.

Luca começou a observar como as empresas funcionavam. Como produtos eram vendidos. Como marcas cresciam. Como o dinheiro entrava e saía de um negócio.

Ele não queria passar a vida apenas executando tarefas.

Queria entender o mecanismo por trás delas.

E foi essa curiosidade que o levou para a internet.

A primeira grande virada veio quando Luca entrou no comércio eletrônico.

Ele percebeu algo que se tornaria fundamental para toda a sua carreira: não era necessariamente preciso ter uma grande marca para vender muito. Era preciso saber onde estava a atenção das pessoas.

Ele começou a vender correntes falsas com aparência luxuosa pela internet.

O produto não era ouro. Eram versões banhadas ou falsas de peças que, se fossem feitas com ouro verdadeiro, custariam milhares de dólares.

Mas Luca encontrou uma maneira diferente de vender aquilo.

Em vez de gastar fortunas tentando pagar publicidade, ele procurou páginas de fãs de famosos no Instagram e suas correntes não eram qualquer correntes eram bijuterias réplicas usadas por esses famosos.

A lógica era simples!

Uma página com dezenas ou centenas de de seguidores podia cobrar uma pequena quantia para divulgar um produto. Se a publicação gerasse vendas, bastava repetir o processo.

Era uma espécie de laboratório de marketing.

Luca testava.

Observava.

Reinvestia.

Escalava.

Em sua entrevista à Fortune, ele contou que chegou a pagar páginas de fãs ligadas a artistas como Kendrick Lamar para divulgar suas correntes. Algumas campanhas custavam apenas dezenas de dólares e podiam gerar milhares em vendas.

O resultado foi impressionante.

Em apenas nove meses, segundo o próprio Netz, o negócio havia ultrapassado US$ 1 milhão de dólares em receita acumulada.

Ao todo, mais de 300 mil correntes teriam sido vendidas antes da empresa ser posteriormente negociada por cerca de US$ 8 milhões de dólares.

Luca tinha apenas 18 anos.

E acabara de descobrir algo que carregaria para o resto da carreira:

Atenção é um ativo!

Seria fácil contar essa história como se Luca simplesmente tivesse descoberto um produto viral e ficado rico.

Mas existe uma parte mais interessante.

Antes dos NFTs, ele escalou profissional com a publicidade que recebeu com os negócios de correntes e passou por diferentes negócios e funções.

Entre elas, esteve ligado à Gel Blaster, empresa de brinquedos que utilizava pequenas esferas de gel como munição recreativa. Luca tornou-se investidor da marca e posteriormente assumiu a posição de CMO.

Ali, aprendeu uma habilidade que mais tarde seria decisiva.

Como pegar algo que existe na internet e colocá-lo no mundo físico.

Essa experiência ajudaria a explicar uma das decisões mais importantes de sua carreira.

Quando todos estavam olhando para NFTs como imagens digitais negociadas em carteiras de criptomoedas, Luca começou a enxergar outra coisa.

Uma marca!

Em julho de 2021, uma coleção chamada Pudgy Penguins foi lançada na blockchain Ethereum.

Pudgy Penguins

Eram 8.888 personagens digitais de pinguins com diferentes características.

A coleção esgotou rapidamente. O projeto ganhou atenção e criou uma comunidade apaixonada.

Mas havia um problema.

A execução não acompanhou o potencial.

Promessas não eram entregues, a comunidade começou a perder confiança e o projeto entrou em uma situação cada vez mais complicada. A própria documentação histórica da comunidade descreve o período como uma fase de forte insatisfação com a equipe original.

Foi exatamente nesse momento que Luca entrou na história.

Ele não era um estranho observando de fora.

Era alguém que havia comprado um NFT de Pudgy Penguin e começado a participar da comunidade.

E percebeu algo que outros investidores talvez não conseguissem enxergar.

Por trás dos NFTs havia uma propriedade intelectual.

Havia personagens.

Havia uma comunidade.

Havia uma estética reconhecível.

E, principalmente, havia uma história que poderia ser muito maior do que a própria blockchain.

Em abril de 2022, Luca fez a aquisição dos direitos da marca com toda a sua economia por aproximadamente US$ 2,5 milhões, incluindo os direitos de propriedade intelectual e ativos relacionados ao projeto.

Para muita gente, aquilo parecia uma aposta absurda ele não tinha mais escolha aquele negócio tinha que dar certo.

O mercado de NFTs estava prestes a enfrentar um dos períodos mais difíceis de sua história o seu colapso.

Mas Luca estava olhando para outra coisa.

Enquanto o mercado perguntava quanto valia um JPEG, ele perguntava:

“E se isso for uma marca?”

Pouco meses depois da aquisição, o mercado de criptomoedas entrou em uma profunda retração.

Os preços dos NFTs despencaram.

Vários projetos desapareceram.

Investidores perderam dinheiro.

O entusiasmo que havia tomado conta da indústria em 2021 começou a evaporou.

Seria o momento perfeito para desistir.

Luca fez o contrário.

A estratégia começou a mudar.

Em vez de depender exclusivamente da valorização de NFTs, Lucas começou construir um negócio em torno da propriedade intelectual.

E isso significava fazer algo que parecia quase contraditório para uma empresa nascida na blockchain:

Tirar os pinguins da tela!

Os Pudgy Penguins começaram a ganhar forma física.

Pelúcia

Pelúcias.

Brinquedos.

Produtos licenciados.

Personagens que antes existiam principalmente em carteiras digitais começaram a aparecer nas prateleiras de grandes varejistas.

Walmart.

Target.

Five Below.

Chaveiro

O projeto estava fazendo uma transição rara: deixava de ser apenas um fenômeno de internet para se transformar em uma marca de consumo do mundo real.

A estratégia tinha ainda outro detalhe.

Os brinquedos não precisavam abandonar completamente a tecnologia que havia dado origem à marca.

Os produtos físicos podiam funcionar como uma porta de entrada para o universo digital.

Essa combinação brinquedo tradicional de um lado, identidade digital do outro tornou se uma das principais apostas do modelo de negócio que Luca estava mais uma vez criando.

Em sua entrevista a Forbes destacou justamente essa transformação: depois de adquirir os Pudgy Penguins, Lucas Netz deslocou o foco para brinquedos físicos, licenciamento e mídia, ajudando a marca a atravessar o chamado “crypto winter”.

O resultado começou a aparecer nos números.

Em 2023, a empresa registrou mais de US$ 10 milhões de dólares em vendas, e posteriormente alcançou mais de 1 milhão de brinquedos vendidos em apenas um ano.

O que antes parecia apenas uma coleção de NFTs de pinguins começava a se comportar como uma empresa tradicional de propriedade intelectual.

Mas Luca ainda tinha outra carta na manga.

Se os Pudgy Penguins haviam conseguido transformar personagens digitais em produtos físicos, faltava criar uma ponte ainda maior ainda entre a comunidade, a cultura da marca e o mercado de criptomoedas.

O token foi lançado na blockchain Solana e distribuído em grande parte por meio de um airdrop destinado a participantes elegíveis do ecossistema. A própria página oficial do projeto confirma a utilização de carteiras Ethereum e Solana no processo de elegibilidade e reivindicação.

Aqui existe uma distinção importante.

O $PENGU não deve ser confundido simplesmente com “o valor dos Pudgy Penguins”.

É um ativo cripto separado, associado ao ecossistema e à comunidade.

E, como acontece com qualquer criptoativo, seu preço pode sofrer grandes oscilações.

Mas, do ponto de vista estratégico, o lançamento representou algo maior.

Os pinguins deixavam de ser apenas personagens.

Passavam a ocupar diferentes camadas da internet:

NFTs.

Memes.

Brinquedos.

Redes sociais.

Jogos.

Licenciamento.

Criptomoeda.

Essa multiplicidade é justamente o que torna a história de Luca tão interessante.

Talvez essa seja a parte mais importante de toda a trajetória.

Quem olha rapidamente para os Pudgy Penguins pode enxergar apenas desenhos fofos de pinguins.

Luca enxergou uma propriedade intelectual.

E propriedade intelectual pode viajar.

Pode virar brinquedo.

Pode virar personagem de desenho.

Pode aparecer em roupas.

Pode ser licenciada.

Pode entrar em jogos.

Pode virar meme.

Pode ocupar as redes sociais.

Pode criar comunidade.

É a mesma lógica que fez marcas como Pokémon, Hello Kitty e outras propriedades culturais atravessarem gerações e formatos.

A diferença é que os Pudgy Penguins nasceram em uma época em que a própria comunidade digital pode participar da construção e distribuição da marca.

Em 2026, essa expansão continua.

A empresa anunciou novas iniciativas em categorias como beleza e bem-estar, colecionáveis e lifestyle, além de parcerias com marcas e organizações de diferentes setores. Segundo a própria Pudgy Penguins, a marca também já ultrapassou 100 bilhões de visualizações no GIPHY.

O pequeno pinguim deixou de ser apenas um NFT.

Virou uma linguagem.

Existe uma ironia poderosa nessa história.

Quando Luca era adolescente, dinheiro significava segurança.

Uma casa.

Estabilidade.

A possibilidade de não depender da próxima oportunidade.

Anos depois, ele estaria administrando uma empresa construída sobre uma ideia completamente diferente: transformar atenção e comunidade em uma marca global.

O patrimônio líquido de Luca hoje é estimado em mais de US$ 100 milhões de dólares.

Mas o que realmente chama atenção na trajetória de vida de Luca não é apenas quanto dinheiro ele acumulou.

É a velocidade da transformação.

De adolescente em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade para multi milionário.

De trabalhador de depósito…

Para empreendedor de comércio eletrônico.

De empreendedor...

Para milionário aos 18.

De milionário...

Para investidor em uma coleção de NFTs falida.

E de investidor de uma coleção de NFT falida...

Para CEO de uma marca que conseguiu atravessar o mundo virtual e chegar às prateleiras das maiores redes varejistas dos Estados Unidos.

Talvez seja tentador olhar para Luca Netz e concluir que sua história é simplesmente sobre ganhar dinheiro.

Não é!

A parte mais interessante está na capacidade de perceber valor onde outras pessoas enxergavam apenas uma coisa passageira.

Quando as correntes falsas estavam na moda, ele enxergou distribuição.

Quando o Instagram estava cheio de páginas de fãs, ele enxergou publicidade barata.

Quando a Gel Blaster crescia, ele enxergou um produto que poderia alcançar o mercado de massa.

Quando os Pudgy Penguins estavam em crise, ele enxergou propriedade intelectual.

E quando o mercado entrou em colapso, ele não tentou salvar apenas um projeto de NFT.

Tentou construir uma marca.

Essa diferença mudou tudo.

Porque existe uma enorme distância entre comprar algo que está subindo e comprar algo que você acredita que pode construir.

Luca apostou na segunda opção.

E talvez seja por isso que a história dos Pudgy Penguins tenha sobrevivido ao próprio ciclo dos NFTs.

O mercado pode mudar.

As criptomoedas podem cair.

Os NFTs podem sair das manchetes.

As tendências podem desaparecer.

Mas personagens que conseguem conquistar uma comunidade podem permanecer.

Hoje, Luca Schnetzler é conhecido como o homem por trás da transformação dos Pudgy Penguins.

Mas reduzir sua história ao título de “CEO que ficou milionário com NFTs” seria perder justamente a parte mais fascinante.

A história começou muito antes da blockchain.

Começou com um garoto que aprendeu cedo que ninguém viria resolver seus problemas por ele.

Continuou com um adolescente que abandonou a escola e entrou no mercado de trabalho.

Passou pelo comércio eletrônico, pelo marketing e pelos brinquedos.

E chegou a uma coleção de 8.888 pinguins digitais que, em determinado momento, parecia ter perdido o rumo.

Luca comprou aquilo por cerca de US$ 2,5 milhões.

O mercado chamou de loucura.

Ele chamou de oportunidade.

E talvez essa seja a melhor maneira de entender toda a sua trajetória.

Luca Netz não ficou multi milionário porque encontrou uma oportunidade perfeita.

Ele ficou multi milionário porque aprendeu a olhar para oportunidades imperfeitas e perguntar o que elas poderiam se tornar.

Os Pudgy Penguins eram apenas desenhos.

Até alguém enxergar personagens.

Eram apenas NFTs.

Até alguém enxergar propriedade intelectual.

Eram apenas uma comunidade.

Até alguém enxergar uma marca.

Eram apenas pinguins.

Até Luca decidir fazê-los caminhar para fora da blockchain.

E, talvez, essa seja a parte da história que ainda não terminou.

Porque se existe uma coisa que a trajetória de Luca Netz deixa clara é que o negócio nunca foi apenas vender pinguins.

Era descobrir até onde um pinguim poderia chegar.

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