Comprar Criptomoedas
Paga com
Mercados
NFT
Feed
USD

O que são Stablecoins e como melhor utilizá-las?

2020-06-17

Neste artigo, conheça um pouco da história das moedas estáveis, como as pareadas a moedas fiduciárias como o dólar, e como aproveitá-las em seus investimentos.

Como surgiram as stablecoins?

A ideia sobre Stablecoins, em uma tradução livre são as “moedas estáveis”, foi inicialmente popularizada na comunidade Bitcoin em janeiro de 2012 pelo artigo “The Second Bitcoin Whitepaper”, de autoria de J.R. Willett, ainda disponível neste link. Este artigo ficou famoso na comunidade por trazer a ideia de usar a protocolo bitcoin como uma camada de protocolo,  sobre a qual novas camadas de moedas com novas regras poderiam ser construídas sem que a base fosse alterada. A frase abaixo, extraída do artigo original e traduzida, destaca a possibilidade de criar moedas que teriam o valor estável vinculado ao dólar americano ou a algum outro ativo do ecossistema financeiro tradicional.

“É possível criar ferramentas para permitir que os usuários finais criem camadas de protocolo de moeda que tenham um valor estável, atrelado a uma moeda ou mercadoria externa. Dessa forma, os usuários dessas moedas podem possuir moeda virtual estabilizada vinculada a dólares americanos, euros, ouro, petróleo, etc.”

A volatilidade do Bitcoin já era vista como uma característica que impedia sua popularização como meio de troca, e a stablecoin poderia ser a resposta para esta questão. Uma moeda que poderia herdar as principais características do Bitcoin como: baixos custos de transação, transferibilidade e conversibilidade internacional sem fronteiras, pseudo-anonimato e transparência em tempo real. E ir além, resolvendo as questão de oscilações de preços, e ajudando o grande público a ter contato com a nova tecnologia trazendo para o ecossistema das criptos, ativos amplamente aceitos e conhecidos pelo público em geral.

Quais são os tipos de Stablecoins? E como elas funcionam?

Conceitualmente podem existir 4 tipos de projetos de stablecoins com características bastante distintas. São eles:

1. Stablecoins lastreadas em ativos (ex: moedas fiduciárias) 

Como o próprio nome indica, estas criptomoedas são lastreadas em ativos como por exemplo moedas fiduciárias (dólar americano). Ou seja, para cada quantidade de cripto moeda emitida, o emissor mantém a quantidade da moeda fiduciária em reserva, e para cada quantidade de cripto moeda resgatada destruída, o emissor libera a mesma quantidade da moeda fiduciária. Este mecanismo garante que em qualquer momento o valor referente ao conjunto de stablecoins em circulação é igual ao valor de moedas fiduciárias mantidas como lastro, e dessa forma o emissor pode garantir os resgates de qualquer valor de stablecoin a qualquer momento, mantendo a paridade 1:1.

Veja o esquema simplificado abaixo baseado no whitepaper da Tether (USDT), hoje a maior stablecoin do mercado de criptoativos, simplificadamente os passos durante a vida de uma stablecoin lastreada em ativo, como por exemplo moedas fiduciárias são:

  • passo 1 – usuário deposita moeda fiduciária na conta bancária do emissor da stablecoin

  • passo 2 – emissor gera a stablecoin e transfere para a carteira do usuário. O valor do depósito feito em moeda fiduciária é igual ao valor de stablecoin emitida.

  • passo 3 – usuários transacionam utilizando a stablecoin

  • passo 4 – usuário solicita o resgate da stablecoin ao emissor

  • passo 5 – emissor destrói o valor de stablecoin pedido em resgate e transfere o mesmo valor para a conta do usuário 

As principais críticas que existem a esse modelo é o fato de termos no emissor uma figura centralizada e que deve ser confiável. O que de certa forma fere a filosofia dos criptoativos. A própria Tether reconhece isso em seu whitepaper, mas explica que a implementação estabelece as bases para criação de inovações futuras que poderão eliminar essas fraquezas.

2. Stablecoins lastreadas em criptoativos

Estas criptomoedas procuram acompanhar um determinado ativo ou moeda fiduciária, como por exemplo o dólar americano. No entanto elas são lastreadas em outros criptoativos, como por exemplo ethereum (ETH). Os ativos aceitos como lastro são definidos pelo time de governança da stablecoin. Só que neste caso, existe uma sobrecolaterização, em outras palavras (no nosso exemplo), o valor em dólares de stablecoin emitida é significativamente menor que o valor em dólares do criptoativo usado como lastro ou colateral. Isso serve como mecanismo de segurança para as oscilações que o criptoativo usado como lastro ou colateral tiver em relação à moeda fiduciária ou ativo que esta stablecoin procura emular (no nosso exemplo o dólar). Veja o esquema simplificado abaixo baseado no whitepaper “The Maker Protocol: MakerDAO’s Multi-Collateral Dai (MCD) System”, que implementa a stablecoin DAI. 

Simplificadamente os passos durante a vida de uma stablecoin, que neste exemplo procura acompanhar o valor do dólar, e que é lastreada em criptoativo, como por exemplo ETH são:

  • passo 1 – usuário entrega os ETHs que servirão de lastro ou colateral para a geração das stablecoins

  • passo 2 – emissor armazena os ETHs entregues como lastro ou colateral, e emite uma quantidade de stablecoin cujo valor em dólares é significativamente menor que o valor em dólares dos ETHs entregues.

  • passo 3 – O usuário pode usar as stablecoins geradas para transacionar livremente. 

  • Passo 4 – O usuário devolve as stablecoins para o emissor, e as criptos moedas são destruídas

  • passo 5 – O emissor entrega de volta os ETHs recebidos como lastro ou colateral.

O mecanismo que leva à estabilização é basicamente o do aumento e diminuição de moedas disponíveis. Se o valor da stablecoin sobe em relação ao dólar, os usuários são incentivados a gerar mais stablecoin o que aumenta a sua oferta e consequentemente acaba diminuindo o seu valor. Da mesma forma se o valor da stablecoin desce em relação ao dólar, os usuários são incentivados a liquidar suas emissões e resgatar os seus ETHs, diminuindo a oferta de stablecoin e aumentando o seu valor. 

O sistema descrito neste artigo obviamente não explora toda a complexidade da implementação deste tipo de stablecoin, e para quem deseja ir mais fundo sugerimos a leitura do whitepaper da DAI, e também explorar o canal YouTube do projeto e conferir a playlist de vídeos introdutórios clicando aqui.

Este tipo de projeto de stablecoin não exige uma única entidade centralizadora e confiável, embora ainda exija uma camada de governança que define uma série de parâmetros. Os dois principais são: 

  • definição dos criptoativos aceitos como lastro ou colateral

  • a quantidade de moedas geradas por criptoativos aceitos

Desta forma, a crítica feita com relação ao tipo de projeto anterior fica atenuada, porém as ressalvas feitas a esse tipo de projeto são com relação à sua capacidade de suportar oscilações enormes nos criptoativos aceitos como lastro. Em sua defesa o projeto apresenta além de sobrecolaterização vários outros mecanismos cujo entendimento pode ser explorado nas referências citadas acima.

3. Stablecoins algorítmicas (não lastreadas)

Esta categoria de stablecoin usa um algoritmo para estabilizar o seu valor usando também a expansão ou restrição da oferta para buscar a estabilidade do preço em relação a um ativo ou moeda fiduciária. Até o momento tivemos dois projetos: BASIS e NuBits, que acabaram não decolando, e não entregando um bom resultado.

4. Stablecoins híbridas

As stablecoins híbridas são resultado de um projeto que mistura as três abordagens apresentadas anteriormente. Por enquanto isso ainda é uma possibilidade apenas teórica, mas no dinâmico mundo dos criptoativos preferimos deixar essa possibilidade também destacada, uma vez que as evoluções acontecem com uma velocidade muito grande.

Quais os principais casos de usos?

Existem muitos usuários de criptoativos hoje no mundo. Traders que procuram lucros diariamente; investidores de longo prazo que procuram armazenar seus ativos com segurança; pessoas comuns que querem evitar as tarifas e manter a privacidade de suas compras; pessoas e empresas que precisam enviar/receber valores no mundo todo; comerciantes que querem evitar os famosos “chargebacks” das operadoras de cartão de crédito.

Para cada um desses indivíduos acreditamos que as stablecoins podem entregar benefícios de maneiras similares:

  • transacionar em dólares sem intermediários, com segurança e privacidade

  • armazenar valores em dólares para se proteger de ciclos de retração do mercado de criptoativos

  • eliminar o risco de armazenar dólares nas corretoras, transferindo os mesmos para suas carteiras de criptoativos

  • Fazer/receber remessas de/para outros países com tarifa reduzida, de forma rápida, segura e com privacidade

Mas sem dúvida nenhuma o caso de uso que mais merece destaque é o da busca da independência financeira e da proteção de patrimônio. Hoje, graças às stablecoins, não importa sua localização ou circunstância, você pode armazenar parte de suas reservas em um criptoativo lastreado em dólares americanos.

E com a stablecoin da Binance (BUSD), o usuário poderá ir além. Com ela suas reservas, além de ficarem armazenadas em dólares americanos, ainda recebem uma valorização em US$ que pode ser superior a 7% ao ano. Para ter isso o usuário deve habilitar o Binance Savings sobre o valor armazenado em BUSD. Algo completamente inimaginável para o cidadão comum dos países em desenvolvimento de qualquer parte do mundo até pouquíssimo tempo!

Com o Binance Savings é possível fazer a sua poupança em vários criptoativos. Explore mais aqui.

Siga-nos em nossos canais em português no novo Twitter, novo Instagram, Facebook e YouTube. Participe do nosso grupo oficial da Binance em Português Telegram para conversar com a nossa comunidade.