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O Bitcoin é um Porto Seguro? Uma Mensagem de CZ

2020-03-21

Após algumas entrevistas recentes na mídia, decidi compartilhar meus pensamentos sobre alguns dos tópicos postados no blog. Muitas das perguntas são parafraseadas. As respostas são puramente minhas próprias opiniões pessoais e não existe garantia de que estejam corretas. Por favor, use seu próprio julgamento. Esta não é uma mensagem sobre conselhos financeiros.

P: Com os mercados globais em colapso, o Bitcoin não ficou imune às perdas que assolam outros mercados. A criptomoeda é realmente uma "moeda de hedge", "porto seguro" ou "reserva de valor", como as pessoas afirmam ser? Você está preocupado com o Bitcoin e com as criptomoedas?

R: Não, não estou preocupado com as criptomoedas. Os fundamentos não mudaram. Ao contrário das moedas fiduciárias (fiat), o bitcoin continua sendo uma moeda com oferta limitada. Ninguém pode emitir mais. A demanda está aumentando, especialmente agora. Vai tudo ficar bem.

Em vez de uma visão ingênua em “preto e branco” de “porto seguro” ou não, precisamos examinar como as coisas funcionam no mundo real de maneira mais profunda. E a realidade geralmente se apresenta em escala de cinza. Existem muitos fatores e horizontes de tempo a serem considerados aqui, mas primeiro vamos usar uma analogia.

Digamos que você pegue uma boia de natação, ela funciona e te ajuda a flutuar na água. Agora vamos dizer que ela está amarrada ao Titanic enquanto afunda. Essa boia irá funcionar e levar você à superfície? Não, não vai. E isso porque a boia não funciona mais? Não, as propriedades flutuantes da boia ainda funcionam... Você entendeu a ideia.

Fundamentalmente, o bitcoin ou as criptomoedas não mudaram. Eles ainda funcionam. Elas ainda têm um suprimento limitado, ninguém pode emitir mais moedas arbitrariamente. Com moedas fiduciárias sendo emitidas em um ritmo recorde, você pode tirar suas próprias conclusões sobre o que acontecerá após um período de tempo.

P: Por que o Bitcoin caiu então?

R: Bem, o bitcoin é um ativo negociado livremente. O preço é determinado pelo mercado, ou coletivamente pelas pessoas no mercado, através de trading. De novo, existe um grande grupo de pessoas envolvidas aqui e várias dimensões e fatores que devem ser considerados. Vou mencionar apenas duas dimensões.

Dimensão um: “die-hard believers” vs. “new-to-crypto” (crentes obstinados vs. novatos em criptomoedas)

Existem os crentes obstinados, com a maioria de seus ativos em criptomoedas. Eles raramente vendem criptomoedas por moeda fiduciária (a menos que estejam prestes a gastar o dinheiro) e não têm mais moedas fiduciárias para comprar mais criptomoedas, mesmo que o mercado caia. Este grupo não importa muito. Eles não podem/não vão fazer trades.

São pessoas que realmente acreditam nas criptomoedas e possuem porções significativas de seus portfólios investidos em criptomoedas. Quando eles ganham mais dinheiro (fiat), eles compram criptomoedas. Quando acontece uma baixa, eles também compram.

Existem pessoas que são relativamente novas no mundo das cripto. Este grupo pode ou não entender ou acreditar profundamente nas criptomoedas. Quando eles sentem que há riscos, eles vendem. Quando há pânico, eles vendem.

Existem muitas pessoas que nem tiveram contato com criptomoedas ainda. Elas também não importam muito para esta discussão. Mas são potenciais compradores no futuro.

Dimensão dois: dinheiro de sobra vs. dificuldades para pagar o aluguel.

Algumas pessoas gerenciam suas finanças (e estilo de vida) de forma confortável. Quando seus investimentos (ações ou cripto) caem um pouco, eles ainda estão tranquilos e podem em pagar as despesas essenciais. Ou seja, eles podem suportar uma crise sem muito impacto no seu padrão de vida. De fato, muitos deles compram durante os períodos de baixas.

Existem pessoas que dependem de ganhos de curto prazo em suas carteiras de investimentos para pagar o aluguel ou as contas. Quando o mercado de ações cai, eles são obrigados a vender criptomoedas para cobrir suas despesas.

A proporção de cada tipo de investidor no mercado é desconhecida e muda com o tempo. Sua força relativa ou convicção de vender/comprar também é dinâmica. Quando o mercado de ações passa por uma forte crise, mais pessoas sentem a crise em um grau mais alto e, portanto, sentem também uma convicção mais forte de vender criptomoedas a curto prazo.

Existem muitas outras dimensões considerando a demografia e a psicologia do mercado, mas você entendeu a ideia.

Tamanho

O tamanho é importante para a nossa discussão. O mercado de ações/fiat é cerca de 1000x maior que o mercado de criptomoedas. Quando o mercado de ações cai, muito valor desaparece, muitas vezes um valor equivalente ao total de capitalização do mercado de criptomoedas. É muito parecido com o naufrágio do Titanic em que você está nadando perto dele. O efeito de sucção é real. É melhor segurar a boia que não está presa ao Titanic para poder voltar à superfície.

Coronavirus

A crise financeira de 2008 não envolveu uma pandemia. A dinâmica e a psicologia são um pouco diferentes. Considerando que apenas aproximadamente 1 em cada 1000 pessoas possui ou aceita criptomoedas, não é algo tão útil em uma situação de pandemia. Quando as pessoas temem o fim dos tempos, as prateleiras vazias e a escassez de alimentos, elas vão querer acumular dinheiro. Portanto, existe uma demanda ou pressão crescente de pessoas que desejam vender seus investimentos (ações ou cripto) por dinheiro, novamente a curto prazo. 

Teoricamente, os preços do ouro deveriam subir, mas isso também não aconteceu. Infelizmente, existem outros fatores: o ouro é difícil de transportar, difícil de verificar a procedência e, como o bitcoin, não é aceito, por muitos, para pagamentos diários. Existem também outros fatores comuns mencionados abaixo, como a “velocidade”. Ao contrário do bitcoin, acredito que o ouro está em decadência, enquanto a história do bitcoin está apenas começando.

Pensando pelo lado positivo, o coronavírus, por mais mortal que seja, passará. Uma vacina será desenvolvida mais cedo ou mais tarde. Por mais que exista uma dependência excessiva de uma cadeia de suprimentos global, que está paralisando. Atualmente, nenhuma nação tem uma grande escassez de alimentos. As pessoas que acumulam dinheiro, eventualmente acabam descobrindo que não precisam mais armazená-lo e o investem novamente.

P: Os governos estão emitindo mais dinheiro, por que o preço do bitcoin não sobe? Como as pessoas disseram que iria?

R: Existe o conceito de velocidade. "Eventualmente" foi a palavra-chave no último parágrafo. Os mercados são ineficientes. A velocidade da propagação da mudança é lenta, o que na verdade nos dá muitas oportunidades.

Os governos anunciaram que estão emitindo mais dinheiro, mas você já conseguiu esse dinheiro? Não.

Os bancos já conseguiram? Alguns sim, mas não.

Você já solicitou um novo empréstimo? Provavelmente não.

Você já comprou um carro novo com o empréstimo? Provavelmente não.

As pessoas já compraram mais bitcoin? Na maioria dos casos, não. Muitas ainda estão em pânico por causa do papel higiênico.

Essas mudanças levam tempo para se propagar na economia. As mudanças não acontecem imediatamente quando toda uma população está envolvida.

Existem outros aspectos mais práticos da velocidade. Devido às ineficiências nas transferências fiduciárias, leva tempo para as pessoas depositarem dinheiro em exchanges de criptomoedas para comprar bitcoin. Sempre existe um atraso no mercado.

P: A criptomoeda não é um porto seguro?

R: Você faz seu próprio julgamento. Eu fiz o meu.

De qualquer forma, espero que você entenda que há muitos fatores em jogo a cada momento. Não espere, com certeza, que o bitcoin irá subir quando o índice Dow Jones cair, ou vice-versa. Não é um produto de correlação inversa perfeita. Se é isso que você, deveria apenas operar em short nos futuros do Dow Jones Index.

P: Por que você é tão otimista sobre criptomoedas o tempo todo? Que problemas você vê no sistema financeiro atual?

R: Fundamentalmente, acredito que o sistema atual (ou o que costumo chamar de legado) está quebrado. E o bitcoin corrige isso.

Não devemos odiar os jogadores, mas sim o jogo.

Vou dar alguns exemplos. Em uma chamada de analistas de Wall Street, você ouve investidores ou analistas perguntarem aos CEOs "você tem reservas de caixa suficientes para sobreviver a uma crise econômica ou a uma pandemia que interrompe as linhas de suprimento?" Ou você os ouve perguntando: “Qual foi seu lucro neste trimestre? O que há de novo? Como você vai aumentar os preços das ações agora, não na próxima semana, nem amanhã, hoje, agora?”

Imagine dois CEOs em uma sala de reuniões. Alguém diz "economizaremos 50% dos lucros neste trimestre para um dia chuvoso, caso haja uma pandemia ou crise econômica". O outro diz: “usaremos 95% de nossos lucros neste trimestre para recompra de ações. Os preços das ações subirão...” Adivinhe quem vai receber uma salva de palmas e quem será expulso da sala? E adivinhe o que os CEOs são treinados para fazer? Eles trabalham com curto prazo.

Então, devemos culpar os CEOs? Não tenho certeza. Alguns desses CEOs podem até se ver como heróis, sacrificando-se (risco de serem demitidos durante qualquer ligeira recessão econômica), enquanto “maximizam o valor para o acionista” quando ainda têm o emprego. Eles geralmente não mencionam os bônus de US$100.000.000 que receberam. Mas se você estiver no lugar deles, ou tiver a chance de estar na mesma posição, você irá recusar essa chance? Você agiria de forma diferente? Improvável. É o sistema que está quebrado.

P: Então por que os governos continuam financiando essas empresas?

R: Resposta curta: Não faço a menor ideia.

Resposta longa: Bem, essas empresas são consideradas grandes demais para falir. Um banco falido pode resultar em investidores de varejo contabilizando perdas na casa das centenas de bilhões de dólares.

Então, por que não deixar os bancos falirem e emitir mais dinheiro para dar aos investidores de varejo, que perderam dinheiro, em vez de dar aos bancos? Eu definitivamente quero concordar com você. Existem muitas razões possíveis.

Provavelmente é mais caro fazer isso. Em 2008, o Lehman tinha uma dívida de US$680 bilhões apoiada em apenas US$22,5 bilhões em capital, uma escassez de US$660 bilhões. Este é apenas um banco, e existem centenas deles, por país. Nesse sentido, faz todo o sentido imprimir 2 trilhões se isso pode restaurar a confiança dos investidores. É a maneira mais barata, por enquanto.

A óptica/RP também são diferentes. Com a impressão de dinheiro, os contribuintes são roubados indiretamente, mas não reclamam muito. Pelo menos, não tanto quanto se um banco falisse, como o Lehman. Todo mundo saberia exatamente a quem culpar, qual CEO/regulador/político falhou, etc. Mas eles não sabem de nada, sabem? Então tudo bem.

P: Isso não simplesmente criaria problemas maiores no futuro? 

R: Pode apostar. Mas isso é problema de outras pessoas. Alguns anos depois, outro otário vai lidar com isso. Infelizmente, esse novo otário não terá outra escolha senão jogar o mesmo jogo. O novo otário também será muito bem pago, então tudo bem.

Voltando ao assunto de por que estou sempre otimista sobre criptomoedas.

O Bitcoin corrige isso. Com criptomoedas, é diferente. Não há resgates do governo, pelo menos não através da emissão de dinheiro. Isso quebra o ciclo. Não existe uma solução mágica de todos os problemas. Empresas ainda vão falir, alguns usuários ainda vão sofrer. Ainda haverá forte demanda de investidores para ganhos a curto prazo. Alguns CEOs ainda serão gananciosos a curto prazo em relação ao crescimento sustentado a longo prazo. Mas é menos provável que essas empresas fiquem muito grandes. Chega de adiar o enfrentamento do problema ou uma tomada de decisão importante.

Também pelas razões acima, eu raramente odeio ou ataco alguém especificamente. Não tem sentido. Quando você vê os motivos por trás, percebe que é o sistema que os faz agir de determinada maneira.

Desta vez, há algo diferente em relação a 2008?

Sim, acredito que há diferenças. Em 2008, não houve uma pandemia capaz de parar a economia global. Mas acredito que o coronavírus é apenas um gatilho, não a causa principal. Nossa economia deve ser mais forte, pelo menos forte o suficiente para sobreviver a alguns choques.

Mais importante, em 2008, não tínhamos muita escolha além de esperar que o sistema que causou os problemas, se recuperasse de alguma forma. Mas desta vez, as pessoas têm mais opções.

“Long Bitcoin, Short the bankers” (aposte no Bitcoin, não nos banqueiros).

CZ

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