O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2023-2026) chegou a três anos e meio com números oficiais de redução do desemprego (perto de 5,4%, mínima histórica em alguns períodos), crescimento do PIB e queda de indicadores de pobreza extrema. Ao mesmo tempo, o período acumulou controvérsias que tocam diretamente no núcleo do poder: promessas de campanha não entregues, investigações de corrupção que alcançaram o filho do presidente e o gabinete do Planalto, e uma política externa marcada por crises sucessivas com parceiros estratégicos.


Os dados abaixo vêm de levantamentos oficiais, relatórios do TCU, operações da Polícia Federal e reportagens de veículos de diferentes orientações. As defesas dos envolvidos negam irregularidades e as investigações seguem em curso.

Promessas versus resultados: o que ficou pelo caminhoLevantamentos do g1 e de outros veículos apontam que o governo cumpriu integralmente 26 das 36 principais promessas de 2022. Entre as entregues estão a reforma tributária, a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e a retomada de programas sociais.

baccinoticias.com.br

Ficaram pendentes ou parcialmente entregues:

  • Criação de um Ministério da Segurança Pública separado da Justiça.

  • Zerar as filas do SUS.

  • Universalização de banda larga nas escolas públicas.

  • A promessa de não disputar um quarto mandato — descumprida com a candidatura em 2026.

No campo fiscal, o arcabouço criado em 2023 foi criticado por economistas por permitir excessões e crescimento de gastos. A dívida bruta do governo geral chegou a cerca de 82% do PIB em 2026, com déficit nominal acumulado em 12 meses superior a R$ 1,3 trilhão. O TCU apontou que apenas cerca de 50% dos objetivos específicos e 45% das entregas previstas no Plano Plurianual foram plenamente alcançados em 2025, com desempenho especialmente baixo em saúde e no Novo PAC.

obrasilianista.com.br

A percepção popular também pesa: pesquisas registraram que parte significativa da população considera que o governo entregou menos do que o esperado, especialmente no custo de vida.Os quadros de corrupção que chegaram perto do Planalto Três frentes se destacaram pela escala e pela proximidade com o círculo presidencial.Operação Sem Desconto (INSS)
Esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões que desviou mais de R$ 6,3 bilhões desde 2019 (com aceleração nos anos recentes). A operação derrubou o ministro da Previdência Carlos Lupi e outros altos cargos. Investigadores apontaram conexões com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”).

Fonte: www1,folha.uol.com.br

Caso Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente, é alvo de pelo menos três inquéritos no STF por suspeita de tráfico de influência. As apurações envolvem intermediar negócios de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde (proposta estimada em centenas de milhões de reais) e contratos com a Dataprev. Mensagens e depoimentos ligam-no à lobista Roberta Luchsinger e a pagamentos feitos ao então chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro (“Marcola”), que deixou o cargo em julho de 2026. A defesa nega qualquer irregularidade e afirma que as conversas foram tiradas de contexto.

Fonte: valorinternaconal.globo.com.br

Escândalo do Banco Master
Liquidação do banco pelo Banco Central em 2025 revelou irregularidades que podem superar dezenas de bilhões de reais. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi incluído em investigações da Operação Compliance Zero por suspeitas de benefícios recebidos e articulações em favor da instituição. O caso também gerou questionamentos sobre contratos com escritórios ligados a autoridades do Judiciário.

Fonte: youtube.com

Esses episódios recolocaram a palavra “corrupção” no centro do debate eleitoral de 2026, mesmo com o governo tentando distanciar-se das denúncias.

Falhas e crises diplomáticasA política externa do período foi marcada por atritos que reduziram o espaço de manobra do Brasil:

  • Israel: Após Lula comparar as ações em Gaza ao Holocausto, o governo israelense declarou-o persona non grata. As relações diplomáticas foram rebaixadas; o Brasil não aprovou novo embaixador e Israel retirou a indicação.

    Fonte: g1.globo.com
  • Argentina e Paraguai: Tensão aberta com Javier Milei (que chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”) levou à convocação de embaixadores e rebaixamento de relações. Declarações sobre a Guerra do Paraguai também geraram protesto formal de Assunção.

  • COP30 em Belém (2025): Baixa presença de líderes de grandes emissores, problemas de infraestrutura (falta d’água, superlotação, infiltrações, invasão de área restrita e um incêndio na zona azul), preços abusivos de hospedagem e crítica da própria ONU sobre segurança e condições.

Fonte: americasquartely.org

Analistas apontam preferência por alinhamentos ideológicos com regimes autoritários (Venezuela, Nicarágua) em detrimento do pragmatismo com parceiros comerciais tradicionais, resultando em perda de protagonismo.

O que isso significa

Os números sociais positivos coexistem com deterioração fiscal, investigações que tocam o entorno imediato do presidente e um isolamento diplomático crescente. As controvérsias não são apenas de oposição: relatórios do TCU, operações da PF e levantamentos independentes documentam os fatos. As defesas reiteram inocência e atribuem parte dos problemas a heranças anteriores ou a ataques políticos.Para um público de mercado e de redes (Binance e X), o quadro é claro: o Brasil chega a 2026 com crescimento e emprego em alta, mas com dívida crescente, escândalos bilionários próximos do poder e relações externas fragilizadas. O eleitor — e o investidor — terá de pesar o que foi entregue contra o que ficou no caminho e o que ainda está sob investigação.

Fonte: bbc.com


Fontes principais incluem relatórios do TCU, dados do Banco Central e IBGE, operações da PF, levantamentos do g1 e reportagens de Folha, Estadão, Gazeta do Povo e Veja, entre outros. As investigações continuam abertas.

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