O Senado dos Estados Unidos deverá realizar, em 15 de setembro, uma votação processual que poderá definir o futuro do Digital Asset Market Clarity Act, conhecido como CLARITY Act. A proposta pretende criar uma estrutura regulatória nacional para o mercado de criptomoedas, estabelecendo critérios mais claros para distinguir valores mobiliários de commodities digitais e delimitar as competências da Securities and Exchange Commission (SEC) e da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A votação, contudo, não representará a aprovação definitiva do projeto, mas decidirá se o Senado poderá iniciar formalmente sua análise.

O CLARITY Act já foi aprovado pela Câmara dos Representantes, em julho de 2025, por 294 votos a 134. Em maio de 2026, o projeto avançou no Comitê Bancário do Senado por 15 votos a 9. Posteriormente, em 22 de julho, a senadora republicana Cynthia Lummis divulgou uma versão atualizada, reunindo contribuições dos comitês Bancário e de Agricultura. Segundo a comunicação oficial da senadora⁠, o texto busca conciliar proteção ao consumidor, combate a atividades ilícitas e condições para o desenvolvimento do setor nos Estados Unidos.

Para que o debate seja aberto, a moção processual precisará alcançar 60 votos. Como os republicanos não possuem esse número sozinhos, o avanço dependerá do apoio de democratas e independentes. O resultado permanece incerto: integrantes dos dois partidos manifestaram preocupações com a proteção dos investidores, os controles contra lavagem de dinheiro e os possíveis efeitos de produtos remunerados com stablecoins sobre os depósitos e empréstimos bancários. Bancos e representantes da indústria de criptomoedas intensificaram a pressão sobre os senadores antes da votação, segundo a Reuters⁠.

A proposta atribui à CFTC maior responsabilidade pela negociação de ativos classificados como commodities digitais, enquanto a SEC continuaria supervisionando valores mobiliários e determinadas operações de emissão e captação. O texto também disciplina intermediários, custódia, plataformas de negociação e algumas atividades relacionadas às finanças descentralizadas. O resumo oficial do Comitê Bancário do Senado⁠ procura diferenciar protocolos efetivamente descentralizados de serviços controlados por empresas ou grupos identificáveis, além de prever obrigações contra fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ilícito.

Se a moção alcançar os 60 votos, o projeto seguirá para debate, apresentação de emendas e novas votações no Senado. Como o texto senatorial difere daquele anteriormente aprovado pela Câmara, as duas casas ainda precisarão chegar a uma redação comum antes de encaminhá-lo ao presidente. Uma derrota em 15 de setembro não extinguiria formalmente o CLARITY Act, mas reduziria significativamente a possibilidade de aprovação em 2026. Para o mercado, o principal efeito de eventual aprovação seria a redução da incerteza jurídica, especialmente para exchanges, intermediários e emissores de altcoins; para o Bitcoin, já amplamente tratado como commodity nos Estados Unidos, o benefício seria predominantemente indireto.