O Citi Wealth passou a indicar ETFs de Bitcoin e Ethereum à vista para clientes de alta renda. A novidade chega num momento de saques: em dois pregões, investidores tiraram cerca de US$ 1 bilhão dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos.
Só na segunda-feira (2), os ETFs de Bitcoin e Ethereum americanos tiveram saques de US$ 538 milhões. Os fundos, que permitem investir em cripto por uma conta de corretora, somavam US$ 111,3 bilhões naquele dia, segundo a SoSoValue.
O que diz o relatório do Citi?
O Citi Wealth publicou o relatório “Expanding the Investable Universe: Introduction to Crypto ETFs”. O documento é um guia de introdução e não anuncia fundo próprio do banco. Nele, o Citi apresenta os ETFs como a forma regulada, pela conta de corretora, de clientes com perfil adequado terem cripto ao lado de ações e títulos.
O banco cita regras mais claras, entrada de instituições e baixa correlação de longo prazo com os ativos tradicionais, ou seja, a cripto não anda junto com esses mercados. O relatório também lista riscos e restrições de adequação ao perfil do cliente.
Citi Wealth just published “Expanding the Investable Universe: Introduction to Crypto ETFs”, which pitches spot BTC and ETH ETFs as the regulated, brokerage-account way for suitable clients to add digital assets alongside stocks and bonds.
Separately, Citi said on Aug 18 that… pic.twitter.com/41zIcSBijD
— matthew sigel, recovering CFA (@matthew_sigel) November 2, 2026
Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA tiveram saques de US$ 398,62 milhões em 2 de novembro, segundo a SoSoValue. Na sexta (30), investidores já tinham tirado US$ 643 milhões, um dia depois do ataque hacker de US$ 6,3 bilhões à Binance.
Quando o investidor resgata cotas, o gestor do fundo vende ou devolve o Bitcoin correspondente. Isso coloca mais moedas à venda no mercado.
Os ETFs de Ethereum tiveram saques de US$ 139,80 milhões em 2 de novembro, e a sequência de retiradas já vem desde o início de outubro.
Mesmo assim, o que saiu do Bitcoin nos últimos dias equivale a cerca de 0,4% dos US$ 98,12 bilhões que esses fundos guardam. Só o IBIT, da BlackRock, teve resgate de US$ 405,3 milhões em um único dia, segundo o BeInCrypto.
Citi ainda não tem data para guardar Bitcoin
O banco também prepara um serviço separado, de custódia. Em agosto, o Citi anunciou que a plataforma Custody+ passaria a guardar Bitcoin para instituições ainda este ano.
Para Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, o Citi é o sexto entre os 29 maiores bancos do mundo com risco sistêmico, os “grandes demais para quebrar”, a ter serviço de custódia de Bitcoin no ar ou anunciado. Ele diz que o JPMorgan avisou que, por ora, não vai oferecer o serviço.
Sigel também levantou uma hipótese, ainda sem confirmação, para o silêncio do banco.
“… o ataque à Binance na semana passada pode ser um dos motivos para o Citi não detalhar o cronograma. Ouvi dizer que o serviço já estava pronto para lançamento naquela semana”, afirmou.
O Citi não confirmou essa versão e segue dizendo publicamente que a previsão é “ainda este ano”. O BeInCrypto foi o primeiro a noticiar os planos de custódia do banco, em agosto.
Se o Citi marcar uma data antes de 31 de dezembro e os saques perderem força, dá para ver se Wall Street e os investidores voltam a andar na mesma direção.
O artigo Citi indica ETFs de Bitcoin e Ethereum a clientes alta renda foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.
