Ações Tokenizadas Prometem Eficiência, Mas Quem Assume o Risco?

A resistência à tokenização de ações ganhou um novo capítulo. Segundo reportagem do Cointelegraph, Wells Fargo e outras empresas apresentaram objeções à proposta de uma plataforma conjunta da OKX com a ICE. Até a sexta-feira mencionada pela publicação, 22 companhias haviam se manifestado no processo relacionado à isenção de inovação da SEC.

O número chama atenção, mas o ponto central não é uma disputa entre instituições tradicionais e blockchain. A questão decisiva está na estrutura jurídica dos ativos tokenizados.

Um token vinculado a uma ação pode facilitar negociação, liquidação e transferência digital. Contudo, sua existência na blockchain não garante automaticamente os mesmos direitos de uma ação mantida pelos canais convencionais. Custódia, direito a dividendos, governança, resgate e responsabilidade operacional precisam estar claramente definidos.

As objeções também não significam que a proposta tenha sido rejeitada. Elas mostram que empresas envolvidas, direta ou indiretamente, querem compreender como seus valores mobiliários seriam representados e negociados nesse novo ambiente.

A tokenização pode modernizar mercados, mas eficiência tecnológica não substitui segurança jurídica. O verdadeiro avanço acontecerá quando investidores conseguirem identificar, sem ambiguidades, quem mantém o ativo original, quem emite sua representação digital e quem responde quando algo falha. Nesse setor, confiança não nasce apenas do código: ela depende da conexão entre tecnologia, direitos verificáveis e regras aplicáveis.