📺 CRYPTO DIÁRIO | EPISÓDIO #15

📱 TON — A MOEDA QUE A SEC MATOU EM 2020, RESSUSCITADA POR ESTRANHOS, ENQUANTO SEU CRIADOR ORIGINAL FOI PRESO NA FRANÇA POR CAUSA DO PRÓPRIO APLICATIVO

Em 2018, dois irmãos russos captaram US$ 1,7 bilhão pra construir a blockchain do Telegram. A SEC processou, o projeto morreu oficialmente, e US$ 1,2 bilhão tiveram que ser devolvidos aos investidores. Só que o código era aberto — e uma comunidade de desenvolvedores completamente estranha ao Telegram pegou os restos e ressuscitou tudo. Quatro anos depois, o próprio criador foi preso num aeroporto em Paris, acusado por causa do aplicativo que deu origem a essa moeda. E o mais recente: em 2026, o token voltou a se chamar exatamente como nasceu. Essa é a história do TON.


👨‍💻 OS IRMÃOS DUROV — DE FUNDADORES DO MAIOR APP RUSSO A EXILADOS PERSEGUIDOS POR DOIS GOVERNOS

Pavel Durov e Nikolai Durov são irmãos russos que, em 2006, fundaram o VK (VKontakte) — a maior rede social da Rússia, uma espécie de “Facebook russo”. Pavel se tornou conhecido por resistir publicamente a pedidos do governo russo para censurar oposicionistas e entregar dados de usuários. Em 2014, depois de se recusar repetidamente, foi forçado a vender sua participação no VK e deixar o país — passando a viver como uma espécie de nômade bilionário, sem residência fiscal fixa por anos.

Ainda em 2013, antes de sair da Rússia, os irmãos já haviam lançado o Telegram, o aplicativo de mensagens que se tornaria símbolo de resistência à censura e à vigilância governamental ao redor do mundo — hoje com mais de 900 milhões de usuários ativos mensais.

Nikolai, o irmão mais técnico da dupla, é o cérebro por trás da engenharia da blockchain que viria a se tornar o TON — enquanto Pavel assumiu o papel de porta-voz público e visionário do projeto.


💰 A PROPOSTA ORIGINAL — 2018 E OS US$ 1,7 BILHÃO

Em 2018, os Durov publicaram o whitepaper do Telegram Open Network (TON) — a proposta de construir uma blockchain de camada 1 que serviria como infraestrutura financeira e de aplicações descentralizadas, integrada nativamente ao Telegram. O token nativo se chamaria Gram.

A captação foi um dos maiores ICOs privados da história das criptomoedas: aproximadamente US$ 1,7 bilhão, levantados junto a investidores institucionais, sem oferta pública. Em 2019, a rede já rodava em modo de teste, com lançamento oficial previsto para outubro daquele ano.


⚖️ A SEC ENTRA EM CENA E MATA O PROJETO

Pouco antes do lançamento programado, em outubro de 2019, a SEC entrou com uma ação de emergência contra o Telegram, alegando que os tokens Gram constituíam uma oferta não registrada de valores mobiliários — a venda tinha alcançado investidores americanos sem cumprir a legislação de valores mobiliários dos EUA.

Em março de 2020, a Justiça americana deu ganho de causa à SEC. Em maio de 2020, Pavel Durov anunciou publicamente que o Telegram estava encerrando o trabalho no TON. Em junho, veio o acordo final: o Telegram concordou em devolver mais de US$ 1,2 bilhão aos investidores e pagar uma multa civil de US$ 18,5 milhões, sem admitir nem negar as acusações.

Foi, na prática, o fim oficial do projeto — pelo menos sob a bandeira do Telegram.


🔓 A RESSURREIÇÃO — QUANDO ESTRANHOS PEGAM O CÓDIGO E CONTINUAM SOZINHOS

Aqui está a virada que separa essa história de praticamente todo outro projeto cripto abandonado por decisão regulatória: como o código do TON já era open source, ele não morreu junto com a decisão do Telegram de desistir.

Um grupo de desenvolvedores independentes, liderados por Anatoliy Makosov e Kirill Emelyanenko — pessoas sem vínculo formal anterior com o Telegram — pegaram a base de código abandonada e continuaram o trabalho sozinhos. Em 2021, formaram a TON Foundation, entidade sem fins lucrativos sediada na Suíça, e renomearam o projeto de “Telegram Open Network” para simplesmente “The Open Network” — mantendo a sigla TON, mas removendo qualquer vínculo institucional direto com o aplicativo que o originou.

Em 23 de dezembro de 2021, Pavel Durov deu seu endosso público ao trabalho da comunidade, num post no próprio Telegram — e o valor do token disparou imediatamente. Foi o primeiro sinal público de que, mesmo sem controle direto, os Durov continuavam de olho — e torcendo pelo projeto.


🤝 SETEMBRO DE 2023 — O TELEGRAM VOLTA (SEM SER DONO)

Em setembro de 2023, veio um movimento estratégico importante: o Telegram elegeu formalmente o TON como seu parceiro oficial de infraestrutura Web3, integrando uma carteira baseada em TON diretamente dentro do aplicativo de mensagens.

Era uma relação cuidadosamente desenhada: o Telegram usava o TON, promovia o TON, se beneficiava do TON — mas não era, formalmente, dono do TON. A estrutura de governança seguia comunitária e independente, exatamente o modelo que havia nascido da necessidade de sobreviver à ação da SEC.

Ainda assim, o Telegram mantinha (e mantém) uma reserva relevante de tokens — o suficiente para gerar preocupação sobre concentração de poder, levando Pavel Durov a anunciar publicamente, em fevereiro de 2025, planos de limitar a participação do Telegram a aproximadamente 10% do supply total do token.


🚨 24 DE AGOSTO DE 2024 — A PRISÃO QUE CHOCOU O MUNDO

O capítulo mais dramático dessa história inteira aconteceu longe de qualquer gráfico de preço.

Em 24 de agosto de 2024, Pavel Durov foi preso no Aeroporto de Paris–Le Bourget, logo após desembarcar de um jato particular vindo do Azerbaijão. Foi indiciado em 28 de agosto por doze acusações, incluindo cumplicidade em exploração sexual infantil e tráfico de drogas na plataforma Telegram — decorrentes, segundo os promotores franceses, da recusa quase total do aplicativo em cooperar com autoridades investigando crimes cibernéticos.

Uma das acusações — cumplicidade na administração de uma plataforma que permite transações ilícitas por um grupo organizado — carregava pena máxima de 10 anos de prisão e multa de 500 mil euros. Durov foi solto mediante fiança de 5 milhões de euros, com obrigação de se apresentar à polícia duas vezes por semana e proibição de deixar o território francês.

O caso gerou debate mundial imediato sobre os limites entre moderação de conteúdo e liberdade de expressão. Defensores de Durov, incluindo figuras de peso do mundo da tecnologia, classificaram a prisão como ataque direto à privacidade digital; grupos de proteção infantil, por outro lado, apontavam o Telegram como um dos principais refúgios online para material de abuso sexual infantil, sendo praticamente a única grande plataforma que se recusava sistematicamente a cooperar.

O impacto no mercado foi imediato: o preço do TON caiu cerca de um terço nos dias seguintes ao anúncio da prisão.


📅 O DESFECHO PARCIAL — NOVEMBRO DE 2025

As restrições sobre Durov foram, aos poucos, se afrouxando: primeiro passou a poder fazer viagens curtas e controladas aos Emirados Árabes Unidos, depois, em 13 de novembro de 2025, a Justiça francesa retirou por completo as restrições de viagem e supervisão judicial, depois de um ano inteiro de cumprimento das condições impostas.

O processo criminal, porém, continua em andamento até hoje — Durov segue sob investigação formal, e o desfecho definitivo do caso ainda não aconteceu. Ele mesmo, em declarações públicas recentes, tem classificado a perseguição jurídica como parte de um padrão mais amplo, acusando a França de ser o único país do mundo a processar criminalmente redes sociais que oferecem algum grau de liberdade aos usuários — chegando a declarar publicamente: “não se engane, isso não é um país livre”.


📈 A MONTANHA-RUSSA DE PREÇO — 2021 A 2026

TON registrou sua mínima histórica de US$ 0,3906 em setembro de 2021, pouco depois do relançamento comunitário. Em novembro daquele mesmo ano, teve um dos maiores saltos únicos já registrados no mercado cripto: alta de 96,51% num único dia, impulsionada pelas primeiras grandes listagens em exchanges.

O período de maior força veio em 2024: em 15 de junho de 2024, o TON atingiu sua máxima histórica: aproximadamente US$ 8,25, embalado pela euforia geral do mercado e pelo hype crescente em torno da integração com o Telegram.

A queda que se seguiu foi longa e dolorosa: já em meados de 2025, o token havia caído abaixo de US$ 3,00. Em 10 de outubro de 2025, durante o mesmo evento de pânico generalizado que já derrubou o mercado inteiro (aquele desencadeado pelo anúncio de tarifas de Trump contra a China, que já discutimos no episódio da Hyperliquid), o TON teve a maior queda em um único dia de sua história: -25,58%. No fim daquele mês, tocou uma nova mínima de US$ 0,5853.


🚀 ABRIL DE 2026 — “MAKE TON GREAT AGAIN”

Em 9 de abril de 2026, Pavel Durov anunciou uma iniciativa batizada de “Make TON Great Again” (MTONGA) — um plano estruturado em sete etapas para revitalizar a rede, começando pelo upgrade de consenso Catchain 2.0, que reduziu o tempo de bloco de 2,5 segundos para aproximadamente 400 milissegundos, tornando a rede sensivelmente mais rápida.

O anúncio gerou uma recuperação instantânea: o preço praticamente dobrou, saindo de US$ 1,37 para cerca de US$ 2,80 em questão de dias. A CertiK, empresa de segurança blockchain, chegou a reconhecer publicamente a rede TON como “a blockchain mais rápida do mundo”, superando nomes consolidados como Solana e Polygon em métricas específicas de desempenho.


🔄 JUNHO DE 2026 — O TOKEN VOLTA A SE CHAMAR GRAM

Aqui está a virada mais recente e simbólica de toda essa história: em 1º de junho de 2026, como parte da estratégia MTONGA, Pavel Durov anunciou que o token TON estava sendo renomeado de volta para “Gram” — o nome original de 2018, aquele mesmo que a SEC havia obrigado o Telegram a abandonar seis anos antes.

Tecnicamente, não é uma migração: 1 TON simplesmente passou a ser exibido como 1 Gram, com saldos, staking, NFTs, jettons (o padrão de token do TON) e posições de DeFi permanecendo exatamente os mesmos. Mas o gesto simbólico é evidente — depois de anos operando sob um nome adotado por necessidade regulatória, o projeto está, deliberadamente, retomando sua identidade original.

O anúncio do rebranding, sozinho, fez o token saltar de US$ 1,30 para US$ 2,90 no pico — antes de recuar parcialmente, mas se mantendo acima da marca de US$ 2.


🌐 O ECOSSISTEMA TON/GRAM HOJE

💬 Carteira nativa no Telegram — integração direta dentro do aplicativo de mensagens, dando à rede acesso potencial a uma base de usuários que a maioria das blockchains só sonha em alcançar.

⛓️ Arquitetura de sharding — a rede é dividida em masterchain e múltiplas workchains, permitindo processamento paralelo de transações e escalabilidade horizontal — parte do motivo por trás da reputação de velocidade da rede.

🎮 Mini apps e jogos — o ecossistema de aplicativos dentro do Telegram (games, ferramentas, bots) se tornou uma das principais portas de entrada de novos usuários para a blockchain, sem precisar sair do próprio app de mensagens.

🌉 Pontes TON-ETH e TON-BSC — permitem conversão entre TON e suas versões equivalentes em ERC-20 e BEP-20, facilitando interoperabilidade com o restante do mercado cripto.

🏛️ TON Society — grupo comunitário oficial da blockchain, que se posicionou publicamente contra a prisão de Durov, classificando-a como “um ataque direto a um direito humano básico”.


🏦 ONDE O TON/GRAM ESTÁ LISTADO?

✅ Binance ✅ Coinbase ✅ Kraken ✅ OKX ✅ Bybit ✅ KuCoin ✅ Carteira nativa dentro do Telegram


🤔 VALE A PENA INVESTIR EM TON/GRAM? A VISÃO HONESTA

A favor: distribuição direta dentro de um aplicativo com mais de 900 milhões de usuários ativos, uma vantagem de alcance que praticamente nenhuma outra blockchain possui; reconhecimento técnico independente (CertiK) como uma das redes mais rápidas do mercado, especialmente após o upgrade Catchain 2.0; código aberto desde o início, provando na prática que consegue sobreviver mesmo sem apoio institucional formal; iniciativa MTONGA trazendo desenvolvimento ativo e catalisadores concretos de preço em 2026.

Atenção: processo criminal contra Pavel Durov segue em andamento, sem desfecho definitivo, mantendo uma nuvem de incerteza jurídica sobre a figura mais associada publicamente ao projeto; preço em agosto de 2026 ainda cerca de 79% abaixo do ATH de junho de 2024; alta volatilidade histórica, incluindo uma das maiores quedas em um único dia já registradas no mercado (outubro de 2025); concentração relevante de supply nas mãos do Telegram, mesmo com o limite de 10% anunciado por Durov; dependência estratégica de decisões pessoais de um fundador que segue sob escrutínio legal internacional.

Conclusão honesta: o TON, agora voltando a se chamar Gram, é um dos poucos projetos cripto que sobreviveu integralmente a uma ação direta da SEC — não graças a uma vitória judicial, mas porque a natureza aberta do código permitiu que estranhos completos ressuscitassem o projeto sem precisar da permissão de ninguém. É uma tese de investimento genuinamente diferente: alcance de distribuição sem paralelo via Telegram, combinado com risco pessoal real e ainda não resolvido em torno da figura pública mais associada à marca. Separar o valor da tecnologia do risco reputacional do fundador é, aqui, mais difícil do que em praticamente qualquer outro projeto que já cobrimos.

Isto não é conselho financeiro. DYOR. Invista só o que você pode perder.

🎯 LINHA DO TEMPO

  • 2013 → Irmãos Durov fundam o Telegram


  • 2014 → Pavel Durov deixa a Rússia após conflito com o governo


  • 2018 → Whitepaper do TON publicado; ICO capta US$ 1,7 bilhão


  • Out 2019 → SEC processa o Telegram por venda não registrada de valores mobiliários


  • Mar 2020 → Justiça americana dá ganho de causa à SEC


  • Mai/Jun 2020 → Telegram abandona o projeto; acordo de US$ 1,2 bi devolvido + multa de US$ 18,5 milhões


  • Set 2021 → Mínima histórica: US$ 0,3906


  • Dez 2021 → Durov endossa publicamente o trabalho da comunidade independente


  • Set 2023 → Telegram elege o TON como parceiro oficial de infraestrutura Web3


  • 15 jun 2024 → ATH histórico: US$ 8,25


  • 24 ago 2024 → Pavel Durov é preso em Paris; indiciado por 12 acusações


  • 10 out 2025 → Maior queda em um único dia da história do token: -25,58%


  • 13 nov 2025 → Restrições de viagem contra Durov são retiradas


  • 9 abr 2026 → Lançamento da iniciativa “Make TON Great Again”


  • 1º jun 2026 → Token renomeado de volta para “Gram”


  • Ago 2026 → Preço negociando perto de US$ 1,76



🔚 FECHANDO

A história do TON — ou Gram, seu nome novamente — é, talvez, o exemplo mais claro de todo o mercado cripto de como uma ideia pode sobreviver à queda do próprio criador. A SEC matou oficialmente o projeto em 2020. Estranhos completos, sem vínculo formal com o Telegram, pegaram o código aberto e continuaram sozinhos. E mesmo assim, o destino da moeda continua profundamente entrelaçado com a figura de Pavel Durov — um homem que criou o app que deu origem a tudo isso, e que hoje segue sob investigação criminal por decisões tomadas dentro da própria plataforma.

A pergunta que fica: quando uma rede depende tanto da distribuição de um aplicativo específico, mas seu fundador segue enfrentando risco legal real e não resolvido, o investidor está apostando na tecnologia — ou está apostando, sem perceber totalmente, na sorte judicial de uma única pessoa?

#GRAM #TON #DocumentarioIndependente #BinanceSquare

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Fontes consultadas: The Crypto Times, IncryptedEN, LBank, Switchere, Forbes, CryptoPotato, Wikipedia, TechCrunch, BeInCrypto, NBC News, TechPolicy.Press, ABC News, Al Jazeera, GlobalSecurity.org, News on Air, Yahoo News, WEEX, FinanceFeeds, Benzinga, Kraken, Giottus, CoinGlass, Coinbase, CoinLore, TradersUnion.


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