O preço da Zcash enfrenta pressão constante há duas semanas, com uma estrutura cada vez mais inclinada para o viés de baixa. Desde meados de janeiro, a ZEC entrou em uma trajetória de queda que indica possibilidade de recuo de até 35% caso patamares cruciais sejam rompidos.
No entanto, nem todos os indicadores estão alinhados. Alguns grandes investidores continuam aumentando a exposição, enquanto indicadores de momento de curto prazo apontam que a tendência de compras em quedas ainda persiste, mesmo com saídas rápidas. Agora, a estabilidade ou continuidade da queda depende da reação do preço em torno de alguns níveis críticos.
Estrutura de análise indica uma queda de 35%
O gráfico diário da Zcash indica que o rompimento do padrão bear-flag ocorreu em 16 de janeiro, quando o preço caiu abaixo da zona de US$ 414. Esse movimento representou a perda da faixa de consolidação anterior e confirmou a estrutura de continuidade de baixa.
Com base na altura da faixa prévia, no mastro do bear-flag e na projeção do rompimento, a estrutura aponta para um alvo na região de US$ 266. O cenário indica uma potencial queda de cerca de 35% em relação à área do rompimento.
A situação já não é mais apenas um risco teórico. O preço da ZEC já se move conforme a projeção, indicando que os vendedores seguem controlando a tendência geral.
Porém, a estrutura por si só não justifica por que o preço não acelerou ainda mais a queda. Para isso, é necessário analisar o momento e o fluxo de capital.
Grandes investidores entram, mas confiança do varejo permanece fraca
Apesar da configuração baixista, a Zcash registrou recuperação de curto prazo de cerca de 9% a partir do fundo em 25 de janeiro. Esse movimento está alinhado com as alterações no Chaikin Money Flow, ou CMF.
O CMF avalia se grandes volumes de capital estão entrando ou saindo de um ativo, considerando preço e volume. Quando o indicador sobe, sugere aumento da pressão compradora. Quando cai abaixo de zero, sinaliza saídas líquidas.
Recentemente, o CMF da ZEC superou uma linha de tendência descendente que o limitava há semanas. Essa mudança contribuiu para a recuperação de curto prazo. Contudo, o indicador permanece abaixo da linha zero, o que significa que, embora exista pressão compradora, ela não é forte o suficiente para reverter a tendência predominante.
Uma superação semelhante do CMF acima de zero, no passado, levou a uma alta de quase 31%. Portanto, para anular a trajetória de queda, a retomada do patamar zero pelo CMF é fundamental.
Dados on-chain sobre investidores trazem mais elementos. Nas últimas 24 horas, endereços classificados como whales e mega-whales aumentaram suas posições em torno de 5,96% e 1,39%, respectivamente. Essa movimentação provavelmente justifica a melhora do CMF. Grandes investidores demonstram disposição para comprar na fraqueza.
O comportamento do varejo é distinto. Dados de fluxo spot mostram que, após um breve período de saídas, as entradas líquidas voltaram durante a recuperação. Em resumo, quando o preço saltou cerca de 9% em relação ao piso de ontem, a pressão vendedora aumentou para quase US$ 9 milhões. Isso sugere que muitos participantes, possivelmente do varejo, aproveitam as altas para reduzir exposição, e não para ampliar.
Essa divisão ajuda a entender a divergência nos sinais. Whales sustentam o preço da ZEC na margem, enquanto o varejo mantém postura cautelosa e oportunista nas altas.
MFI indica que compras na baixa continuam, mas estrutura de preço da Zcash determina as regras
O Money Flow Index, ou MFI, auxilia a esclarecer essa contradição. O indicador acompanha a força compradora e vendedora considerando preço e volume.
Entre 14 e 25 de janeiro, o preço da ZEC registrou queda, enquanto o MFI subiu. Essa divergência de alta indica que houve compras durante o recuo, mesmo com a desvalorização. Isso ajuda a explicar por que a ZEC não apresentou uma queda em linha reta, apesar da estrutura negativa. Conforme gráficos e métricas anteriores, a possível origem dessas compras são os grandes investidores.
No entanto, a força das compras nas quedas não consegue sustentar o movimento por tempo indefinido. Os níveis de preço agora ganham mais importância do que os indicadores.
No cenário de baixa, a região dos US$ 326 é fundamental. Esse patamar está alinhado com uma importante retração de Fibonacci e atuou como um piso temporário. Uma quebra clara abaixo de US$ 326 deve acelerar a busca pelos US$ 266, considerado o principal alvo do movimento de queda. Se a pressão vendedora aumentar, até mesmo o nível de US$ 250 pode ser testado.
Pelo lado positivo, o preço da Zcash precisa primeiro superar os US$ 402.
Esse patamar representa um antigo suporte e agora serve de resistência de curto prazo. Acima desse ponto, a região dos US$ 449 se torna o principal foco. Um avanço acima de US$ 449 deve anular boa parte da estrutura de baixa e indicar que o movimento de queda está perdendo força.

