Bitcoin entra em uma nova era de escassez: mais de 20 milhões de BTC já foram minerados

O Bitcoin acaba de atingir um dos marcos mais importantes de sua história. Em agosto de 2026, mais de 20,07 milhões de BTC já foram minerados, o equivalente a aproximadamente 95,6% do limite máximo de 21 milhões de moedas. Restam, portanto, apenas cerca de 930 mil BTC, ou 4,4% da oferta máxima, para serem emitidos ao longo das próximas décadas.

O dado ganhou ainda mais repercussão após Changpeng Zhao (CZ), fundador da Binance, destacar a escassez crescente do Bitcoin e levantar outro ponto importante: uma parcela dos BTC já minerados pode estar perdida, presa ou permanentemente inacessível.

20,07 milhões de BTC já existem

O protocolo do Bitcoin estabelece um limite máximo de aproximadamente 21 milhões de moedas. Diferentemente das moedas fiduciárias, cuja oferta pode ser expandida por decisões de política monetária, a emissão do Bitcoin é determinada pelo próprio protocolo e reduzida progressivamente pelos halvings.

Com mais de 20,07 milhões de BTC minerados, aproximadamente 95,6% de toda a oferta máxima já foi criada.

Isso significa que o mercado está entrando na fase final da emissão de novos bitcoins.

E existe uma característica particularmente interessante: os últimos milhões de BTC levarão muitas décadas para serem produzidos. A redução periódica das recompensas dos mineradores faz com que a emissão nova se torne cada vez menor.

A oferta realmente disponível pode ser muito menor

O número de 20,07 milhões representa BTC minerados, mas isso não significa que todas essas moedas estejam efetivamente disponíveis para negociação.

CZ estima que 10% a 20% dos bitcoins existentes possam estar perdidos, presos ou permanentemente inacessíveis. Essa estimativa inclui situações como perda de chaves privadas, carteiras abandonadas e outros casos em que os proprietários não conseguem mais movimentar os fundos.

É importante destacar que essa faixa de 10%–20% é uma estimativa de CZ, não um número comprovado pela blockchain. Não existe uma maneira perfeita de identificar todos os bitcoins definitivamente perdidos.

Ainda assim, pesquisas e estimativas independentes também apontam para milhões de BTC potencialmente perdidos. Algumas estimativas colocam a quantidade de Bitcoin permanentemente perdido na faixa de 2 a 4 milhões de moedas.

O efeito econômico da escassez

Imagine um cenário em que 10% dos 20,07 milhões de BTC já minerados estejam permanentemente inacessíveis.

Isso representaria aproximadamente 2 milhões de BTC fora do mercado.

Se a estimativa de 20% fosse utilizada, seriam aproximadamente 4 milhões de BTC potencialmente inacessíveis.

Nesse cenário hipotético, a quantidade efetivamente disponível seria muito inferior aos 20,07 milhões registrados como minerados.

É justamente essa diferença entre oferta total minerada e oferta efetivamente disponível que torna a tese de escassez do Bitcoin tão importante.

Bitcoin pode se tornar cada vez mais difícil de possuir

A consequência dessa dinâmica é simples: enquanto a quantidade de novos BTC entrando no mercado diminui, a demanda pode continuar crescendo.

Isso não significa que o preço necessariamente subirá. Bitcoin continua sendo um ativo extremamente volátil e seu preço depende de demanda, liquidez, condições macroeconômicas, regulamentação, fluxo institucional e sentimento do mercado.

Porém, estruturalmente, existe uma característica que diferencia o Bitcoin de grande parte dos ativos financeiros:

a oferta máxima é limitada.

CZ chegou a destacar que, no futuro, até mesmo milionários poderão ter dificuldade para adquirir um Bitcoin inteiro caso a demanda continue crescendo enquanto a oferta disponível permanece limitada.

Bitcoin é realmente deflacionário?

Aqui é necessário fazer uma distinção importante.

O Bitcoin possui oferta máxima limitada, mas enquanto novos BTC continuam sendo minerados, a oferta total ainda aumenta.

Por isso, tecnicamente, é mais preciso dizer que Bitcoin possui uma oferta monetária rigidamente limitada e uma taxa de emissão decrescente.

Entretanto, quando bitcoins são permanentemente perdidos, a oferta economicamente disponível pode diminuir.

Essa combinação — limite máximo + emissão decrescente + possibilidade de perda permanente de moedas — cria uma dinâmica de escassez extremamente particular.

A grande questão: demanda

A escassez sozinha não garante valorização.

Para que a escassez tenha impacto sobre o preço, é necessário que exista demanda suficiente para absorver a oferta disponível.

É exatamente por isso que os próximos anos podem ser importantes para o Bitcoin.

De um lado:

Oferta nova ↓

Recompensa dos mineradores ↓

BTC perdido/inacessível ↑ potencialmente

Do outro:

Adoção institucional →

Demanda por ETFs →

Adoção corporativa →

Demanda de investidores →

Se a demanda crescer enquanto a quantidade de BTC disponível para venda permanecer limitada, a competição pelos bitcoins existentes pode aumentar significativamente.

Uma nova fase para o Bitcoin

O marco de 20,07 milhões de BTC minerados representa muito mais do que um número simbólico.

Ele mostra que o Bitcoin está se aproximando de seu limite máximo de emissão e que a maior parte de todas as moedas que existirão no protocolo já foi criada.

Restam apenas cerca de 930 mil BTC para serem minerados, enquanto o restante da emissão será distribuído lentamente ao longo das próximas décadas.

Ao mesmo tempo, se as estimativas de moedas perdidas estiverem próximas da realidade, a quantidade de Bitcoin efetivamente acessível pode ser consideravelmente menor do que os números de oferta bruta sugerem.

O verdadeiro ativo escasso, portanto, não é simplesmente o Bitcoin que já foi minerado — é o Bitcoin que ainda pode ser comprado e movimentado.

Essa é uma das características que alimenta a tese de longo prazo do Bitcoin como um ativo digital escasso.

Este artigo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.