Determinar antecipadamente, com precisão, o fundo de um ciclo do Bitcoin é impossível, mas o histórico da criptomoeda permite identificar algumas regularidades temporais. Diferentemente dos indicadores que estimam uma faixa de preço, os modelos analisados a seguir procuram responder principalmente a outra pergunta: quando poderá terminar o atual mercado de baixa? Embora utilizem pontos de partida distintos — fundos, topos, halvings e proporções de Fibonacci —, quase todos concentram suas projeções entre outubro e novembro de 2026.
O primeiro deles é o Bottom-to-Bottom, que mede o tempo transcorrido entre fundos consecutivos. O intervalo entre 14 de janeiro de 2015 e 15 de dezembro de 2018 foi de 1.431 dias. Entre 15 de dezembro de 2018 e 21 de novembro de 2022, transcorreram 1.437 dias. A diferença de apenas seis dias revela uma regularidade expressiva: os dois ciclos duraram, em média, 1.434 dias. Se esse intervalo for acrescentado ao fundo de novembro de 2022, o próximo seria alcançado por volta de 25 de outubro de 2026.
Enquanto o Bottom-to-Bottom utiliza o fundo anterior como referência, o Top-to-Bottom parte do topo que antecedeu cada mercado de baixa. Nos três ciclos anteriores, o Bitcoin levou aproximadamente 406, 363 e 376 dias para sair do ponto máximo e alcançar o fundo posterior. A duração média foi, portanto, de cerca de 382 dias. Considerando como topo do ciclo atual o recorde de aproximadamente US$ 126.200 registrado em 6 de outubro de 2025, a repetição dessa média levaria a um novo fundo em torno de 23 de outubro de 2026. É uma data muito próxima daquela obtida pelo primeiro modelo, apesar de os dois empregarem referências diferentes.
O Halving-to-Bottom oferece uma terceira perspectiva ao contar o tempo entre a redução programada da recompensa dos mineradores e o fundo posterior. Os três últimos fundos ocorreram aproximadamente 777, 889 e 924 dias depois dos halvings de 2012, 2016 e 2020. Como o primeiro ciclo pertenceu a uma fase ainda inicial e menos madura do mercado, a média dos dois períodos mais recentes — aproximadamente 907 dias — pode representar melhor a estrutura atual. Contados desde o halving de 20 de abril de 2024, esses 907 dias conduzem a 14 de outubro de 2026. Se todos os três ciclos recebessem o mesmo peso, a projeção seria antecipada para o final de agosto, razão pela qual esse é o modelo com maior variação entre os resultados possíveis.
A relação entre os fundos e os halvings também pode ser examinada no sentido inverso. O modelo Bottom-to-Next-Halving calcula quantos dias antes do halving seguinte o mercado encontrou seu ponto mínimo. Os fundos de 2015, 2018 e 2022 aconteceram, respectivamente, cerca de 542, 513 e 516 dias antes do evento posterior, produzindo uma média de 524 dias. O próximo halving ocorrerá no bloco 1.050.000, provavelmente entre o final de março e abril de 2028. Como sua data exata depende da velocidade de mineração dos blocos, o cálculo não gera um único dia, mas uma janela situada aproximadamente entre 19 de outubro e 13 de novembro de 2026.
Outro método empregado para projetar períodos de reversão é o Fibonacci Time Extension. Em vez de repetir diretamente a duração dos ciclos, ele aplica proporções de Fibonacci aos movimentos anteriores. A expansão entre o fundo de 21 de novembro de 2022 e o topo de 6 de outubro de 2025 durou cerca de 1.050 dias. Aplicando-se a proporção temporal de 0,382 a esse período, obtêm-se aproximadamente 401 dias. Contados a partir do topo de 2025, eles indicam uma possível reversão por volta de 11 de novembro de 2026. Esse resultado deve ser interpretado com mais cautela, pois depende tanto dos pontos escolhidos no gráfico quanto da proporção utilizada.
Além desses cinco modelos, existe uma coincidência simples no calendário. Os três últimos fundos ocorreram em janeiro de 2015, dezembro de 2018 e novembro de 2022. Em outras palavras, o mês do fundo recuou uma posição a cada novo ciclo. Caso essa sequência se repetisse, o próximo aconteceria em outubro de 2026. Isoladamente, esse padrão possui pouco valor estatístico, uma vez que se apoia em somente três observações e pode ser apenas uma coincidência. Seu interesse está na confirmação indireta das projeções anteriores: outubro não surge apenas dessa sequência mensal, mas também dos cálculos baseados na duração efetiva dos ciclos.
A leitura conjunta oferece um resultado mais consistente do que qualquer indicador considerado isoladamente. O Halving-to-Bottom aponta para 14 de outubro; o Bottom-to-Next-Halving delimita uma janela entre 19 de outubro e 13 de novembro; o Top-to-Bottom indica 23 de outubro; o Bottom-to-Bottom, 25 de outubro; e o Fibonacci Time Extension, 11 de novembro. A sequência dos meses reforça outubro como referência. Assim, a principal janela para o próximo fundo do Bitcoin estaria entre 20 de outubro e 10 de novembro de 2026, com a maior convergência na última semana de outubro. Essa estimativa não deve ser tratada como uma data garantida: o histórico disponível é curto, e fatores como juros, liquidez mundial, fluxos dos ETFs e participação institucional podem alterar o comportamento do mercado. Ainda assim, se o ritmo dos ciclos anteriores permanecer válido, o final de outubro de 2026 aparece como o centro temporal mais coerente para o possível encerramento do atual mercado de baixa.

