Strategy vende Bitcoin e levanta US$ 109 milhões para recomprar ações
A Strategy, empresa de tesouraria liderada por Michael Saylor e conhecida pela forte aposta em Bitcoin, voltou a vender parte de suas reservas. Na semana encerrada em 9 de agosto, a companhia se desfez de 1.690 BTC por aproximadamente US$ 108,6 milhões, conforme documento 8-K apresentado nesta segunda-feira (10).
Com a operação, a quantidade de Bitcoin guardada pela empresa caiu de 842.138 BTC para 840.447 BTC. As moedas foram negociadas por uma média de US$ 64.262 cada, já descontadas as taxas.
O custo total da posição em Bitcoin da Strategy agora está em US$ 63,36 bilhões. Isso representa um preço médio de US$ 75.385 por BTC, cerca de US$ 11.123 acima do valor médio obtido na venda desta semana.
E o dinheiro não ficou parado, não. Todo o valor levantado com a venda foi usado para recomprar ações preferenciais. Ao todo, a empresa adquiriu 1.152.020 ações STRC por US$ 108,6 milhões, exatamente o mesmo montante obtido com a venda dos Bitcoins.
Essa foi a terceira recompra realizada dentro do programa de até US$ 1 bilhão anunciado pela Strategy em 29 de junho. Depois da operação, ainda restam US$ 785,2 milhões disponíveis para novas recompras.
Na semana anterior, a estratégia tinha sido um pouco diferente: metade dos recursos obtidos com as operações envolvendo Bitcoin foi destinada ao pagamento de dividendos preferenciais, enquanto a outra metade, cerca de US$ 81 milhões, foi usada para recomprar ações.
Venda de ações também ganha força
A maior movimentação da semana, porém, aconteceu no mercado de ações. A Strategy vendeu 6.585.682 ações ordinárias e levantou US$ 653,1 milhões líquidos.
O volume foi mais que o dobro das 3.011.361 ações vendidas na semana anterior.
Dos recursos, US$ 650 milhões foram direcionados para a chamada reserva em dólar, enquanto aproximadamente US$ 3,1 milhões ficaram em caixa. Com isso, essa reserva chegou a US$ 4,65 bilhões em 9 de agosto, contra US$ 4 bilhões registrados anteriormente.
Strategy muda antiga estratégia de “nunca vender”
A venda recente também chama atenção porque representa mais um passo na mudança de postura da Strategy.
Por muito tempo, a empresa manteve a ideia de “nunca vender” seus Bitcoins. Isso mudou no fim de maio, quando foram vendidos 32 BTC por aproximadamente US$ 2,5 milhões para ajudar no financiamento de distribuições preferenciais. Foi a primeira venda da companhia desde dezembro de 2022.
Em junho, a Strategy apresentou uma nova estrutura de capital que passou a definir em quais situações poderia vender Bitcoin, estabelecendo uma capacidade de desinvestimento de até US$ 1,25 bilhão.
Com a operação desta semana, a empresa já utilizou aproximadamente US$ 429 milhões desse limite. O cálculo considera cerca de US$ 216 milhões vendidos em julho e US$ 104,7 milhões na semana anterior, sem incluir os 32 BTC vendidos antes da criação dessa nova estrutura.
Empresa segura novas compras de Bitcoin
Por enquanto, a Strategy não compra Bitcoin desde junho. A empresa vem reforçando sua reserva em dólares para ter recursos suficientes para cumprir suas obrigações anuais, que incluem cerca de US$ 1,76 bilhão em pagamentos de dividendos.
A maior parte desse dinheiro vem sendo levantada por meio da venda de ações.
Com as últimas operações, a empresa está com 6.916 BTC a menos do que no pico de 847.363 BTC alcançado em junho. A redução equivale a aproximadamente 0,8% da reserva máxima.
Enquanto isso, o Bitcoin era negociado nesta segunda-feira perto dos US$ 65 mil, com uma alta de aproximadamente 0,2% no dia, segundo dados do CoinGecko.
Nesse preço, toda a reserva de Bitcoin da Strategy vale algo próximo de US$ 54,6 bilhões. O valor fica abaixo dos US$ 63,36 bilhões que a companhia informa ter desembolsado para adquirir esses ativos.
Nova métrica para os investidores
A Strategy também mudou recentemente a forma de apresentar seus principais indicadores aos investidores.
Desde julho, a companhia passou a dar mais destaque ao chamado “valor líquido de Bitcoin por ação”. A métrica busca mostrar quanto dos ativos em Bitcoin efetivamente sobra para os acionistas ordinários depois de descontadas as dívidas e os direitos dos acionistas preferenciais.
No fim das contas, a Strategy continua mantendo uma das maiores reservas corporativas de Bitcoin do mundo, mas agora vem adotando uma postura mais flexível: vende parte das moedas quando necessário, reforça o caixa e utiliza os recursos para administrar sua estrutura financeira.
