O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, voltou a defender, na quinta-feira (30), a aprovação do Clarity Act, projeto de lei que busca estabelecer regras para o mercado de criptomoedas no país. Segundo ele, a demora na votação ocorre por motivos políticos, e essa indefinição pode fazer os Estados Unidos perderem espaço na liderança global do setor de ativos digitais.
Em uma extensa publicação na rede social X, Bessent afirmou que a Câmara dos Deputados aprovou o projeto há mais de um ano. Desde então, equipes dos Comitês de Bancos e de Agricultura do Senado teriam dedicado milhares de horas para negociar mudanças com apoio de parlamentares de diferentes partidos. De acordo com o secretário, o texto já está pronto e aguarda apenas a votação em plenário.
Bessent criticou a postura dos democratas no Senado, dizendo que o adiamento da votação prejudica o avanço da legislação. Para ele, a falta de uma definição coloca em risco a competitividade dos Estados Unidos em um mercado que cresce rapidamente.
"É frustrante, embora não surpreendente, que os democratas do Senado estejam priorizando disputas políticas justamente quando o país poderia conquistar uma importante vitória para sua liderança econômica", escreveu.
O secretário também questionou a decisão de adiar a regulamentação do setor, afirmando que seria difícil encontrar outro momento na história em que o Congresso tenha preferido afastar uma indústria em expansão em vez de criar regras claras para seu desenvolvimento. Segundo Bessent, caso o Clarity Act não seja aprovado, a posição de liderança dos Estados Unidos no mercado de ativos digitais poderá ser comprometida.

Scott Bessent também rebateu as críticas de que o Clarity Act não oferece proteção suficiente aos consumidores nem mecanismos eficazes para combater crimes financeiros. Segundo o secretário do Tesouro, os Títulos II e III do projeto ampliam de forma significativa as exigências de conformidade para empresas que atuam com ativos digitais, aproximando as regras das já aplicadas às instituições financeiras tradicionais.
O secretário ainda saiu em defesa do Blockchain Regulatory Certainty Act, um trecho do Clarity Act que busca garantir segurança jurídica aos desenvolvedores de softwares descentralizados. De acordo com Bessent, a medida apenas oficializa um entendimento antigo do Departamento do Tesouro de que esses desenvolvedores não precisam cumprir as exigências de registro previstas na Lei de Sigilo Bancário (Bank Secrecy Act). Ele destacou ainda que a Fraternal Order of Police, entidade que antes era contrária à proposta, agora passou a apoiá-la.
Na publicação, Bessent também criticou os democratas do Senado, afirmando que muitos estariam receosos de enfrentar a oposição da senadora Elizabeth Warren e do grupo que ela chama de "exército anti-cripto". Para ele, a votação será decisiva para definir se os Estados Unidos continuarão na liderança do mercado global de ativos digitais ou se permitirão que empresas do setor migrem para outros países por causa da falta de regras claras.
Ao encerrar sua mensagem, o secretário citou uma frase famosa de Satoshi Nakamoto, criador do Bitcoin. "A América vai liderar ou ficará para trás. É simples assim", escreveu. Em seguida, reproduziu a conhecida declaração de Satoshi: "Se você não acredita em mim ou não entende, não tenho tempo para tentar convencê-lo. Desculpe."
O Clarity Act cria uma estrutura regulatória federal para o mercado de ativos digitais nos Estados Unidos e, na prática, estabelece regras para a maior parte das operações com criptomoedas no país. Caso seja aprovado e sancionado, o projeto dividirá a supervisão do setor entre a SEC, responsável pelo mercado de valores mobiliários, e a CFTC, que deverá ficar com a maior parte da fiscalização dos criptoativos.
A proposta se transformou em uma das principais prioridades da indústria de criptomoedas em Washington. Em maio, os republicanos do Senado apresentaram uma nova versão do texto com cláusulas de ética que proibiriam o presidente dos Estados Unidos e outros altos integrantes do governo de criar ou promover ativos digitais enquanto estivessem no exercício do cargo.
A medida foi vista como uma resposta direta às atividades ligadas ao presidente Donald Trump, que, segundo divulgações recentes, teria obtido mais de US$ 1,2 bilhão com negócios envolvendo criptomoedas somente em 2025.
Os democratas, no entanto, fizeram críticas ao texto. Entre os principais pontos, argumentam que as restrições valeriam apenas até 2029, que a fiscalização ficaria concentrada no Departamento de Justiça e que as regras não alcançariam os filhos das autoridades envolvidas.
Apesar do avanço das discussões, o futuro do projeto ainda é incerto. O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou recentemente que não acredita na aprovação da proposta antes do recesso parlamentar de agosto, já que as negociações sobre as regras de ética continuam sem consenso.
Analistas avaliam que o recesso de agosto representa a principal janela para a aprovação da proposta neste ano. Depois desse período, a expectativa é que o Congresso concentre seus esforços nas eleições legislativas de meio de mandato, reduzindo as chances de avanço da matéria.
