Comparando o PIB dos dois partidos com maior tempo de governo da República Federativa do Brasil.

No período da ARENA, que foi o partido do governo militar de 1965 a 1985, o Brasil teve dois momentos bem diferentes:

1. Crescimento

-Média do período inteiro 1964-1984: 6,15% ao ano. Para comparação, entre 1948 e 1963 a média tinha sido de 7,12% ao ano.

- O pico foi o chamado Milagre Econômico, de 1968 a 1973. Nesse intervalo a média foi de 11,4% ao ano, com crescimento de 10% ao ano no período e de 14% em 1973 no auge.

- PIB per capita saiu de US$ 261 em 1964 para US$ 1.643 em 1985.

- Investimento em infraestrutura foi muito alto: Ponte Rio-Niterói, Itaipu, Transamazônica, expansão da Petrobras e Eletrobras. A taxa de investimento chegou a 23,3% do PIB em 1975.

2. Herança deixada

O próprio modelo explica porque o crescimento não se sustentou depois de 1973-1974, com a crise do petróleo:

- Crescimento baseado no tripé capital estatal + capital estrangeiro + arrocho salarial.

- Concentração de renda: a frase do ministro Delfim era "deixar o bolo crescer para depois repartir", mas a desigualdade aumentou no período

- Dívida externa disparou e financiou boa parte das obras. Quando os juros internacionais subiram no fim dos anos 70, veio a crise da dívida dos anos 80, hiperinflação e a recessão de 1981-1983 - a primeira em 50 anos.

Por isso historiadores econômicos resumem assim: foi o período de maior crescimento quantitativo do PIB no século 20, mas com baixo desenvolvimento social e com custo pago na década seguinte em forma de inflação de 60% ao ano em média e dívida pública.

No período do Partido dos trabalhadores, com base do governo de 2003 a 2026, por mandato.

-Lula 1 (2003-2006): 14% acumulado, 3,5% ao ano.

-Lula 2 (2007-2010): 18,6% acumulado, 4,6% ao ano - maior da série histórica desde 1990.

-Total Lula 1+2 (2003-2010): 32,7%, 4,1% ao ano.

-Dilma 1 (2011-2014): 9,42%, 2,3% ao ano

-Dilma 2 (2015-2016): -6,85% em 2 anos, -3,4% ao ano.

-Total Dilma (2011-2016): 2,6%, 0,4% ao ano

- Lula 3 (2023-2024): 6,6% em 2 anos, 3,3% ao ano 1186.

Total somando todos os anos em que o PT esteve no poder:

Se somar simples: 32,7% + 2,6% + 6,6% = 41,9%

Por isso:

- Em 8 anos de Lula 2003-2010 cresceu 32,7%

- Em 13 anos e 8 meses de PT até 2016, o acumulado foi de 35,3% (32,7% + efeito Dilma)

- Incluindo os 2 primeiros anos de Lula 3, vai para 41,9% / 45,1% composto.

Se fizer conta composta, como se fosse um bloco único: (1,327 x 1,026 x 1,066) - 1 = 45,1% de crescimento real acumulado sobre o PIB que existia no início de cada governo. Somando tudo 2003-2016 + 2023-2026:

Se encadear os crescimentos, o PIB real cresceu cerca de 50% a 52% em 17 anos, o que dá uma média de aproximadamente 2,4% a 2,7% ao ano - próxima da média histórica do Brasil de 2,68% ao ano no período 1990-2024.

O desempenho explica porque o período é visto de formas diferentes: forte expansão de 2003-2010 impulsionada por commodities e consumo interno, desaceleração em 2011-2014 e recessão em 2015-2016, e retomada moderada a partir de 2023.

Comparando com o período da ARENA, que foi de ∼230% em 20 anos, o volume total é bem menor, mas são contextos econômicos totalmente diferentes - anos 60/70 tinham crescimento mundial muito maior e população crescendo 2,8% ao ano, contra 1,4% hoje.

Somando o período completo da ARENA - 1965 a 1985 - 21 anos de governo:

Se pegar a média oficial de 6,15% ao ano entre 1964-1984:

- Crescimento composto acumulado: cerca de 230% em 20 anos e 250% em 21 anos. Ou seja, a economia ficou 3,3 vezes maior do que era no início.

Se fizer a conta simples somando ano a ano sem juros compostos, dá uns 123% de soma de taxas, mas o jeito correto economicamente é o composto, porque cada ano cresce em cima do ano anterior.

Para ter ideia real:

- PIB de 1964 = índice 100

- PIB de 1985 = índice ∼330

É por isso que, em tamanho absoluto de crescimento do PIB, foi o maior ciclo da história do Brasil. Nenhum outro partido no poder teve 20 anos contínuos com essa taxa média - PT teve 17 anos e 8 meses com média de cerca de 2,5% ao ano, o que dá acumulado composto de ∼54%.

A diferença é que no caso da ARENA esse crescimento veio com recessão e hiperinflação logo depois, entre 1981-1985, porque foi financiado com dívida externa.