O Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos — OCC, na sigla em inglês — anunciou uma postura mais favorável à entrada de empresas de criptomoedas no sistema bancário federal. Segundo o órgão, companhias que exerçam atividades legalmente permitidas, inclusive aquelas relacionadas a Bitcoin, stablecoins e outros ativos digitais, devem ter a possibilidade de solicitar autorização para funcionar como bancos nacionais.
A medida, entretanto, não representa uma aprovação automática e generalizada. Cada empresa interessada precisará apresentar um pedido ao OCC e demonstrar que possui capital adequado, administração competente, controles de risco, segurança cibernética e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro. A declaração do regulador significa, essencialmente, que essas instituições não deverão ser rejeitadas apenas por atuarem com ativos digitais.
Grande parte das empresas do setor procura uma licença de banco fiduciário nacional, conhecida como national trust bank. Essa modalidade permite oferecer serviços como custódia de criptomoedas, administração das reservas de stablecoins e liquidação de operações. Em geral, porém, essas instituições não recebem depósitos comuns do público, não oferecem contas-correntes tradicionais e não contam automaticamente com a proteção do Fundo Garantidor de Depósitos dos Estados Unidos, o FDIC.
O movimento já vem produzindo efeitos concretos. O OCC recebeu 40 pedidos de criação de novas instituições nos últimos 18 meses, entre eles solicitações relacionadas a serviços com ativos digitais. Empresas como Circle, Ripple, BitGo e Paxos estão entre as companhias que buscaram ou receberam aprovações condicionais para estruturas bancárias federais, embora ainda precisem cumprir diferentes exigências antes de iniciar plenamente suas operações.
A nova orientação representa uma aproximação significativa entre o mercado de criptomoedas e o sistema financeiro tradicional dos Estados Unidos. A possibilidade de operar sob uma licença federal poderá ampliar a segurança jurídica, facilitar a custódia institucional e estimular o uso regulamentado de stablecoins e ativos tokenizados. Isso não significa, contudo, que o governo garanta investimentos em Bitcoin ou proteja seus investidores contra perdas: trata-se da abertura de um caminho regulatório, com aprovação individual e supervisão permanente.

